20090521

Fui comprar cigarro e não volto mais

acabô

Fui até a Padoca, que é mais uma tentativa de voltar a escrever. Se der certo, volto a fazer exercícios e praticar sax.
Alguém duvida? Alguém além de mim, quero dizer…

Mas é isso aí. Fechou mais um, abriu mais outro.
E vai lendo a velharia dos blogs antigos que eu estou apagando um por um. Chega de retro-stalkers. Pá-de-pato, mangalô, trêis vêis.

xau.

20090402

The Diamond as big as the Ritz

fitzgerald

Pequenas obras, operetas, à mão livre, com muito pouco a perder e a capacidade de contar a história e fazê-la boa.
Fitzgerald deixa a imaginação ir aonde seus romances não costumavam andar. E confesso que me aproximei desse livro com a idéia errada. Tomei na orelha para largar a mão de ser moleque besta.
Vale muito.

20090312

Amnesiac

amnesiac

Esqueci de tirar a grana da faxineira.
Esqueci de guardar alguma coisa na geladeira.
Esqueci de dizer a você, hoje, que você é a mulher mais incrível que eu já conheci.
Esqueci de dizer à essa mulher, o quanto eu a amo e que eu quero ficar com ela para sempre.
Esqueci de deixar um bilhetinho sem dizer nada, mas com um montão de coraçõezinhos desenhados.
(ou uma porção generosa de vírgulas — aquelas que eu te dei já devem ter acabado)
Esqueci o que tinha pra esquecer.
Deixei um monte de coisa fugir da minha cabeça para ter mais espaço para a Ruivona. Deixei bobagens de lado, mas não bobices; bobices (como imitar um gatinho ou pular na cama) são essenciais. Bobagens como ficar nervoso com cliente, ah isso a gente tem de esquecer em 10 segundos, mas tem de fazer cara de vilão enquanto conta regressivamente, como se fosse apertar o botão da destruição mundial dos clientes chatos de gola engomada. E dar mais espaço para a Pequena.
Dar todooespaçodeumavidatoda para Pequena.

20090308

Musicophilia

musicophilia

[…] no one could remember Beethoven's Fifth Symphony entire, from a single hearing. But neither could one ever hear again those first four notes as just four notes! Once but a tiny scrap of sound, it is now a Known Thing—a locus in the web of all the other things we know, whose meanings and significances depend on each other.
— Marvin Minsky, in Musicophilia, apud Music, Mind and Brain

Sacks vai contando: um paciente que não consegue ouvir música pois as notas se parecem com sons horríveis e lhe dão dores de cabeça. Outro que ouve música, mas não entende: Por que as pessoas se emocionam com essas seqüências de sons?
Há quem veja cores muito específicas a cada nota, e shows de cores e luzes em músicas. Ou sintam os sabores das notas.
Tudo muito curioso, tudo muito Reader's Digest.
Mas…
E ainda bem que há um mas…
A cada causo, a cada tentativa de explicação neurológica, fisiológica, psiquiátrica, a cada página que se percebe o quanto essa porcaria de relação com a música é muito mais complexa e elusiva que poderíamos supor, a música parece mais mágica. Ou mais fruto de um erro de projeto.
Antes de chegar ao fim do livro e descobrir qual é a conclusão de Sacks, eu diria que temos um sexto sentido, cuja perda pode ser tão ruim quanto qualquer outra. Ou mais.

Se me perguntam, se eu prefiro não enxergar ou não "perceber música", minha resposta é bastante fácil…

20090306

Abelhas

abelhas
[interior. sala feia. eucatex. luz fria. tarde modorrenta]
— …fica a questão dos porquês de tal fenômeno… O quanto a abelha rainha conhece da própria colméia?
— Ela é a colméia. Não há diferença. Nós é que tendemos a pensar em individualidade e não em holismo. Também porque holística virou papo-chato-de-hippie-sujo…
— Concordo. Acho uma pena o geral ser visto "one ass a hole"; a necessidade de contraste inferiorizante para se ganhar "destaque", etecétera… Mas esse é o mundo, né? Voltando às abelhas, se a rainha é a colméia e todas as outras abandonam essa unidade de ambas, e seguindo a sua análise holística, será que o fenômeno se dá pela falta de identificação de todas as outras com a rainha-colméia?
— Não. Homeostase. A rainha é igual a qualquer abelha, só a função é diferenciada. Quando um organismo identifica um órgão defeituoso, ele desliga o órgão. No caso da colméia, a vantagem é poder simplesmente "abandonar o corpo".
— Homeostase sim! Mas aí entraremos nas velhas questões do ser, não? Como cada ser passa a identificar a si mesmo, o que é, o que o forma. Phisis x Functionis. Lembra do Magritte, do Duchamp? A abelha é abelha por seu organismo ou por sua função? Vai saber, podemos ir ao infinito e não chegar à nenhuma resposta.
— A abelha é abelha por não ser urso, mano. Eu me defino na alteridade… Além do quê, isso tudo de diferenciação funciona só quando a gente quer. Volição. O discurso muda conforme a necessidade. No final, existe apenas a vontade. E querer é o início do sofrimento. Paixão, paixão. Mas eu não sou assim tão zen. O amor me impede o zen…
— Meu velho, compartilho contigo da mesma visão. Nos desviamos do assunto e a interrogação das abelhas continua, mas não vamos levar mais adiante, que é mais zen.
— Nem tanto. A abelha rainha conhece a colméia porque faz parte dela. Não havendo, como no nosso caso, a percepção de vida independente, ela é a colméia e, portanto, terá tanto conhecimento quanto seja possível um sistema se conhecer. Apesar da pergunta inicial ser essa, não era isso o que você se perguntava, e portanto o assunto mudou. Foco, gafanhoto…
— Rumo ao infinito! Na verdade, a questão inicial era: "por que as outras abelhas abandonam sua colmeia com sua rainha?" Levantei a questão se uma possível causa não seria a falta de compreensão. Segundo sua resposta, não. O enigma continua em aberto… E a resposta desnecessária. Obrigado Master Po!
— As abelhas abandonam a colméia pelo mesmo motivo que a galinha atravessa a rua. É koan. Encontrando o buddha, mate o buddha.

20090204

Vae victis

tchega
Há um sabor especial numa frustração quando se vê, detalhadamente, os passos que fizeram a "coisa" não rolar. Há um quê de orgulho masoquista em saber que não há quem se culpe, exceto a si.
A primeira vez na vida que me vi realmente ansioso foi pelo fracasso — uma medida de minha arrogância e do meu caráter. É a constatação de que nunca vou poder me enganar, nunca a mim; e nunca.

20090130

Cuentos de película

cuentos
Que yo sepa nadie ha explicado esto, de manera que lo mejor es dejarse de pudores y contar, porque al fin y al cabo nadie se avergüenza de respirar o de ponerse los zapatos; son cosas que se hacen, y cuando pasa algo raro, cuando dentro del zapato encontramos una araña o al respirar se siente como un vidrio roto, entonces hay que contar lo que pasa, contarlo a los muchachos de la oficina o al médico. Ay, doctor, cada vez que respiro… Siempre contarlo, siempre quitarse esa cosquilla molesta del estómago.

Cortázar tem de contar. Não se pode furtar a isso e Antonioni e Chabrol e Eastwood e Godard não puderam deixar de contar. Assim eu não consigo mais deixar de contar — mesmo que seja tão miúdo que não valha a pena contar, é bem dito pelo belga: já não é questão de sabê-lo ou de querê-lo, é preciso que se conte.

Cortázar é uma aranha no sapato de Antonioni; e de Chabrol e Eastwood e Godard.

E toda vez que respiro…

20090128

O vermelho e o negro

vermelho
O ar triste nunca é de bom-tom; o ar de tédio é que é necessário. Se está triste, alguma coisa lhe falta, alguma coisa que não deu certo. É mostrar-se inferior. Se está entediado, pelo contrário, aquilo que tentou sem sucesso agradar-lhe é inferior.

Stendhal coloca um pouco de perspectiva no amor e eu me lembro que já fui vítima de um "amor cartesiano". Sim, é tão ruim quanto parece.
Mas fui salvo…

20090119

Chega, né?

tchega
Não demora agora a mudar. Tudo. Mudar internamente, mudar eternamente. É, afinal, a única maneira de continuar a ser eu — ainda que não sej isso lá grandes bostas.
Então muda-se de novo e novamente again outra vez e muda-se de assunto pois, mesmo ninguém lendo essa piromba, eu mesmo já começo a me encher da ladainha.
E auto-tédio é o fim da picada.
Serinho.

20090116

doismilenove

corredor

Mudou o ano. A casa.
Deixei crescer a barba, a pança.
Deixei fugir a chance, a jinga.
Deixei o café crescer.
Acho graça em quase tudo que não devia.
E não devo mais nada.

20081210

Eça

— Dormi hoje deliciosamente, Zé Fernandes. Tão bem, com uma tal serenidade, que começo a acreditar que sou um justo!

in "A cidade e as Serras"

20081027

Enfim, mudança.

corredor
Muda de novo, muda, muda. Moleque muda.
Moleque acha, sempre, que é mister mudar, se definir na alteridade, lembrar-de-si olhando para outros "sis".
Moleque não para, pensa que é tubarão; pensa que, se para, morre.
Moleque morre se ficar parado?
Morre não.
Moleque adia tudo porque sabe que não vem nada. Quando vier, a brincadeira acaba. Moleque reinventa. Joga Calvinball (virou craque).
Moleque se apaixona, apaixona mais e muda de novo. Dá a desculpa que precisa de mais espaço para acomodar livros novos, calças boca-de-sino, caçarola. Mas é mentira: precisa de mais espaço porque cresceu o amor.
Vamos?

20080803

Encontro inesperado no corredor

corredor
Já não lhe falava havia anos. Um tempo suficiente para aquietar birras, mas não mágoas. Aquele encontro, fortuito, não era bem-vindo — deixava-os constrangidos, quebrava a couraça de insensibilidade que houvera por bem construir durante essa ausência e destruía a sua já combalida ilusão de controle.
Supunha ser o mesmo com ele. Pela cara que fazia. Pela pergunta despropositada:
— Como anda o gato?
— Morreu.
Não queria conversar. Não queria dar a ele a chance de se aproveitar da falta que se faziam, tão patente na respiração de um, nas mãos trêmulas de outro, nos olhos frenéticos a buscar salvação de ambos.
Havia algo que não morria e que, possivelmente, nunca enfraqueceria, não importando anos, quilômetros, mortes, guerras, cataclismas. Havia algo maior que determinações. Mas não podia esmorecer agora, não podia ceder um passo, um olhar, ainda que não mais acreditasse nos motivos da separação.
Havia de ser forte, mesmo sem saber direito por quê, mesmo parecendo tudo aquilo sandices.
Cinco minutos de silência duro e áspero naquele corredor, como que à espera da execução — e aborrecia-se com seus chavões; e buscava mais um: à espera de um milagre. Cinco minutos até que ele fizesse a segunda intervenção ao silêncio que era, enfim, melhor que ter de responder-lhe:
— Dá um abraço no papai.
Hesitou e não respondeu. A mesma resposta teria de dar, pai, gato, fim.

20080712

Poema de aniversário

Só para constar.
E ando feliz, e ando onde há espaço, como sempre foi.
Fui.
Rosário Castellanos.
Aurguri.


:: :: ::

Destino

Matamos lo que amamos. Lo demás
no ha estado vivo nunca.
Ninguno está tan cerca. A ningún otro hiere
un olvido, una ausencia, a veces menos.
Matamos lo que amamos. ¡Que cese esta asfixia
de respirar con un pulmón ajeno!
El aire no es bastante
para los dos. Y no basta la tierra
para los cuerpos juntos
y la ración de la esperanza es poca
y el dolor no se puede compartir.

El hombre es anima de soledades,
ciervo con una flecha en el ijar
que huye y se desangra.

Ah, pero el odio, su fijeza insomne
de pupilas de vidrio; su actitud
que es a la vez reposo y amenaza.

El ciervo va a beber y en el agua aparece
el reflejo del tigre.

El ciervo bebe el agua y la imagen. Se vuelve
-antes que lo devoren- (cómplice, fascinado)
igual a su enemigo.

Damos la vida sólo a lo que odiamos

20080612

Fotos do retrovisor

foto
Apareciam, as fotos, nos espelhos por onde passava. Não se via nos espelhos, via as fotos.
Pedaços da vida, que não se lembrava registrados.
Registrava, destarte, pedaços de tempos, frações de segundo, nesgas de dias incompletos.
Perdia as cores a cada vez que clicava; perdia o foco, fazia força e desistia perante a impavidez heisenberguiana dos fatos: mudava a cada vez que observava

passado

presente

pedaço.

20080422

SMSeando microcontos, 7 (definitivo)

"Meio morto, meio livre, meio lúdico, meio incerto; não cabia em si de metades."

Meio apaixonado?

Chuac.

20080418

SMSeando microcontos 6

"Meio morto, meio livre, meio lúdico, meio incerto; não cabia em si de metades."

A cada passo, o mundo atras de si desmoronava. E nao e que aprendeu a achar graca nisso tambem?

SMSeando microcontos 5

"Meio morto, meio livre, meio lúdico, meio incerto; não cabia em si de metades."

Meio puta, meio faminta, meio sedenta e no meio da Santo Amaro; nao caibo mais em Sao Paulo.

Lembre-se de dar a cidade apenas o que ela merece.

SMSeando microcontos 4

"Meio morto, meio livre, meio lúdico, meio incerto; não cabia em si de metades."

Que saudade louca de vc, Giallo. Nao meia. Inteira.

Libemos, meio de cumplicidade, meio de amizade.

SMSeando microcontos 3

"Meio morto, meio livre, meio lúdico, meio incerto; não cabia em si de metades."

Tem metade saudade? Eu tenho saudade e quero ver o Cangaro Giallo!

Vou juntar metades e fazer uma festa. Admito ser relapso.