
Você pode comer esse pote de nutella sozinha, ou pode compartilhar comigo.
Eu posso continuar te mandando textos confusos, ou posso nunca mais falar com você.
Não há nada mais estranho que fumar o último cigarro. Às duas da manhã, sair para comprar mais não é alternativa. E a constatação de que não preciso mesmo de cigarros é equivalente à pergunta que me faço: por que mesmo é que eu quero tanto você?
Eu posso gravar a música que compus olhando para a sua foto ou posso fingir que não me importo.
Você pode continuar mentindo ou pode simplesmente me mandar à merda.
Fazia tempo que eu não transava assim, de ficar com o pau doendo. Eu guardei no fundo da garganta o teu nome, que era bem outra mocinha que me exigia mais, e mais eu dava, consciente do amanhã. E amanhã nos veremos e eu, de novo, fingirei que
ain't misbehavin'. Mas, sabe, amor, sexo, essas coisas nem sempre andam juntas.
Você pode me olhar como quem não sabe bem o que fazer, ou pode abandonar seus preconceitos de uma puta vez.
Eu posso pedir uma delas em namoro, ou posso pedir as contas.
A enxaqueca bate outra vez, faz minha vista turvar e minha cabeça sair um pouco da letargia. É como um
reminder do passado que não nos deixa porquanto nos define. E havemos de lutar com essas determinações imperfeitas porque é mister mudar.
Change is good, after all.Eu posso voltar a ler o Kawabata, o Cortázar ou o Capra, ou ficar aqui, escrevendo nu e morrendo de vergonha.
Você pode se embebedar mais uma vez, ou pode fugir mais um dia.
A arte da conquista, do flerte, parece que não muda desde que a raça humana resolveu inventar a linguagem: falada, arbitrária, convencionada. Eu me aporrinho com esse tipo de joguinho porque nada muda. Se há quem tenha
vergonha alheia, perceba, eu tenho
tédio alheio. E me arrogo o dever de tornar os dias dos incautos mais surreal um tiquinho. Pena que poucos há que entendam.
Você pode definhar, morrer um pouco a cada dia e não saber o que está perdendo, ou pode ir comigo a Fez.
Eu posso esperar, ou posso enlouquecer de vez.
Grandes decisões, a mim me parece, são tomadas no susto, na pressão do surto psicótico do
foda-se, que seja, então. Grandes invenções me parecem cagadas homéricas que acontecem quando ninguém está olhando e o sujeito tem tempo de inventar uma explicação qualquer que faça um sentido mínimo. Grandes descobertas têm cheiro de estupefacientes, ou noites de insônia e sinapses alquebradas; ou simplesmente de idéias roubadas à irmã menor. Grandes amores, quero crer, são feitos de rotina suportável, iguais porções de sexo e provocações cerebrais, sorvete, e do acordo tácito de não subestimar a inteligência alheia. Todo o mais é Ciência.
Eu posso ir dormir.