20060831

Palahniuk e a baixa-estima

O escritor é mestre, admitamos, nessa história de baixa-estima. A bênção da ultra-arrogância-auto-ironia que nos agrada a nós, seres de menor envergadura literária e demasiada auto-comiseração.
Ele não escreve assim tão bem, mas as idéias… E entrega, lá na última parte do Stranger than fiction, que essa história de idéias é mesmo coisa de TOC. O cara anota a vida dele. Conversas, Discovery Channel; ele leu todas aquelas revistas do casarão da Paper Street. Todas. E colocou post-its. E classificou em pilhas por assunto (ou qualquer outra ordem que lhe facilite a consulta ao escrever outro livro). I am Jack's OCD.
E, daí, a gente conclui que é mesmo aquilo que a gente conversava: a magia das relações entre assuntos ou tópicos ou idéias aparentemente desconexas e que fazem todo o sentido quando alguém vê a porcaria do padrão que se forma. O mundo é, com efeito, probabilístico.
Amor, uma improbabilidade.

When it comes to being attractive and fun to be around, I just can't compete.

20060827

Gone for good

I'm never going back
never going back to you
I'm never gonna see you again
I'm never gonna dig out your picture
I'm never gonna look you up someday
Life is very short
You don't love me anymore
So I'm never gonna see you again

I'm never gonna write you a letter
Never gonna call you on the phone
I'm never gonna drive by your house
I'm never gonna catch you coming outside
Never gonna walk up your walk
And ring your bell
And feel you fall into my arms
I'm never gonna see you
I'm never gonna see you
I'm never gonna see you again
You're gone for good

20060826

Tentando.

É a lua, que teima em me pegar desprevenido, andando pela cidade.
É a música que vem na seqüência do shuffle — e é sempre aquela música que você preferia não escutar. Ou não entender a letra.
É o sorriso certo na hora errada.
É a constatação diária da inapelável guapequice. Sem-vergonha; quem não me conhece que me compre.
É a completa falta de coerência entre o que sinto e o que penso. Entre o que percebo com todos os sentidos e o que você me diz.
É a incredulidade.
É a falta de fome, a insônia, a procrastinação.
É a tristeza.
É aquela sensação de que acabou. Time's up. You used all your credit. Your chances have passed, all of them.
A sensação de derrota.
É a toalha sendo jogada pelo treinador. E você achando que ainda dava, mesmo com o supercílio aberto, mesmo sem enxergar direito, mesmo tendo caído duas vezes no mesmo assalto, mesmo estando grogue.
Mais uma chance.
Mais um pouquinho.
Encore un minute.
Mais um dia. Mais uma noite. E as noites são piores.
Mais um post chato e reclamão. Mas é purga, e isso ainda deve levar um tempo.
Ais e ufas. E boas-noites.

Tristesse

Acumulam-se motivos e nenhum deles é bom o suficiente sozinho. Ou o são todos eles.
Empilham-se ao lado dos motivos de regozijo.
Sobrepõem-se e reclamam seu lugar.
Triste. Há duas semanas, triste.
E há quem diga que eu tenho direito.

Vendo sax. Troco por perspectivas.

20060822

Cute. Cute life.

Porque hoje eu me contentava em ser Henri Cartier-Bresson.

20060820

Screwed as in "turned into a cockroach"

Tá, não era para ler A Metamorfose nesse fimde. Ou era — para pirar o cabeção mesmo. E eu ainda ganhei a versão do Kuper de aniversário…
Então vamos de Stranger than fiction, coletado por Chuck Palahniuk. Minha vida é mais estranha que ficção. Mas, até aí, a vida de qualquer um, se você souber contar.
O que mais me dá nos nervos é que eu não tenho sabido contar. Por isso saem esses posts bestas. Bestas, bestas.
Bestões mesmo.
Melhor calar.

20060819

Forbearance

Kenzaburo Oe, A personal matter (Kojinteki na taiken) me fez chorar no final. Choro contido de ônibus a caminho do trabalho, "lámigas" amargas de pedra.
Lágrimas comprimidas enquanto volta o frio.
Começo o Kafka tardio e a terapia. Morre o pai e desiste de amar (pas pour moi). Patético e consciente.
Olá, Lua.

20060815

Pas facile

On est avide
De changement, de changement.

20060813

Porque escargots explodem

Sim, eu aumentei a minha já desproporcionada lista de apetrechos de cozinha que um dia comprarei para, então, já na minha cozinha ideal, ter meu mise en place perfeito. A nova estrela da lista? Um maçarico.
Blame Mr. Anthony Bourdain.
(Put the blame on Mame, boys.)

20060810

SMSeando 4

"A lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando."

Segundo dia de lua que eu nao vejo. como ta ai?

Embasbacante

SMSeando 3

"A lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando."

Mas de perto, bem de pertinho, a lua eh flicts.

Tao de perto assim, nenhuma lua é normal.

SMSeando 2

"A lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando"

Bela lua, hein?
Adorei!
Bjoka

SMSeando 1

"A lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando."

Ainda acho que é de queijo, mas tb sou do tipo que chorou qd quixote recuperou a lucidez.

Adouro!

Coma blue cheese e respire nonsense pelo tempo necessário. Os lunáticos se sabem. =)

Vou fazer omeletes de nonsense e dormir azul. Quem sabe nao acordo selenita?

Faça isso, mas não vire pedra, que elas não sabem rebolar.

Eu danco com cronopios. E tango com mocinhas.

Então está no caminho certo. Ou no passinho? =)

No jazzinho certo =P

Um ponto final

Seu Paulo Kazi est mort.
No próprio dia 8/8, que é para eu queimar a língua, os dedos e o coração já combalido.
Banzai.

20060808

Uma vírgula

hm.

Wikipedia made me do it

Porque hoje é 8/8 e eu ainda não recebi nenhum daqueles e-mails péssimos dizendo que esta data cabalística não se repetirá e que os números significam bla´blá blá, mas é aniversário de nascimento do Benny Carter, que aparece em The snows of Kilimanjaro, o que me faz lembrar que a Wans vai (de verdade) escalar o Kilimanjaro, e que a pequenez de nossos mundos nos é ditada dia após dia por aquilo que queremos limitante.
Tá, isso foi quase brega. Mas a mina vai escalar o Kilimanjaro.
E eu vou a Fez.
8/8 também marca a morte do Cannonball Adderley, um som que aprendi a admirar depois de velho, e que me deu a exata noção de onde se pode chegar, e que não se pode ser Coltrane mesmo que se tente. Mesmo sendo bom bragarai, como é o caso do Cannonball. Mesmo sendo Cannonball. Tudo se resume a dar o truque. Se eu percebo quando o cara dá o truque, não é Coltrane.
E Louise Brooks. *sigh*

A solidariedade dos fodidos

Deveras acalentadora, senão cerebralmente estimulante essa tua ligação. Conquanto inesperada. Talvez eu ache que serei jovem até morrer, percebes? Ou que já nasci velho e pirrônico.
Mas agradeço: tomarei tento, botarei fé, não abusarei da solidariedade e far-me-ei bastante instrumento de minha cura. E bastante alvo dos meus esforços. Está bem, assim como está? Não, não preciso que desenhes.
=)

a seguir: A vingança do hipocondríaco.

20060807

Bem

A resposta-padrão, registrada em cartório e varas-civis, com selos, é:

— Eu estou bem.

E tenham todos bons dias.

20060806

Tell me what you see

Porque, quando eu crescer, eu vou fotografar assim. Ainda que me faltem os olhos.

20060805

Pouco

Você sabe que quando dói assim eu fico insuportável.
Você me conhece, e já não é de hoje.
Ando irônico, galhofeiro. Praticamente um pândego.
Tudo defesa de moleque besta.
E o que eu faço nas noites em que recuso todos os convites para sair? Eu fico quieto no meu canto. Eu me desespero. Eu minto para mim mesmo.
É.
Decepcionada?
Pode ficar.
Eu não sei lidar com a impotência. Meus problemas não são meus para resolver, e por isso mesmo são problemas. E, ao final do dia, são meus. E eu não sei esperar impotente.
E não sei mais deixar para lá.

Pouco me importa.
Pouco me importa o que? Não sei: pouco me importa.

(Alberto Caeiro)

20060803

Via con me

It's wonderful.
I think of you.
(good luck my baby)

20060802

Tapa na cara

Aí as duas pessoas com quem você não tem restrições na hora de contar problemas e boas novas lhe dizem a mesma coisa. É complicado não ouvir. É impossível se fingir de morto. É ainda mais complicado deixar de entender o que elas deixam não dito, mas subentendido.
Salvo erro, eu estou pisando feio na bola comigo mesmo. E as fichas que me empurraram goela abaixo, para além de serem gigantescas, bateram pesado.
OK. Então eu paro de pagar de gatão a assumo que não vou sair dessa sozinho. Eu tomo cuidado porque estou sendo agressivo e cínico demais. Eu vou pedir penico, pedir colo, chorar, olhar de fora, olhar de dentro, me derramar.
E me tornar insuportável por uns dias.
E comer.
E dormir.

Je suis excessive,
Excessivement gaie, excessivement triste,
C'est là que j'existe.
Pas d'excuse.

Onze

Teoria das onze dimensões, simplificada, empacotada. Dica do Mhymhy.
E eu me preocupo com minigâncias.

20060801

Call me Ishmael.

Porque hoje não me parece má idéia embarcar num baleeiro. Mesmo sendo um pirata de coração.
Ahoy, Melville.