Alguma coisa aqui dentro quebrou, sabe? Não sei o que é ainda, mas quando souber eu te conto.
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As rachaduras! Bem lembrado. Vou olhar todas as frestas daqui até Rabat. Quem sabe acho tudo o que perdi. Ou uma moedinha.
Tem chá e tem terapia no segundo semestre, que este aqui já era, meus 36 anos já eram, meu bom-senso acabou e eu tenho de achar ao menos a moedinha, que ainda não deu pra comprar mais nada pra casa.
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A moeda? Desistida, perdida, devidamente esquecida. Achei uma vida velha nessa jornada arqueológica de Trás-de-sofás e Meios-de-tacos, mas fingi que não a vi. Não me cabe mais.
Whitman me diz que eu não escrevo por moedinhas:
I do not say these things for a dollar, or to fill up the time waiting for a boat;E tenho outra vida e vidas e elas cheiram a casca de laranja seca e açucarada, e a praia de costa do Atlântico com o sol se pondo no mar, e a neve.
Minha operação, na Copa. Paolo Rossi fazia seus tentos contra o Brasil enquanto se me arrancavam os pontos. E doía. Outra dor, outra vida. Meu pai (outro Paulo) opera nesta quinta. Safena. Outra Copa. Outra dor. Certamente, hoje, outra vida.
Outro dia, outro jeito de pensar outras coisas de pensar. Outra vida para aprumar e ver derrapando, derrapando, indo de esgueia à bancarrota, ao deus-dará. E dará, que quando se pede outra vida no meio da noite não-dormida por conta de pesadelos que, eu juro, não sonho mais, nasce o sol e já lá vai o Amarelinho encontrar gigantes e lhes dar bons-dias.
Mas já não sonho em ter três metros, que morreu o moço, com um gancho nas costas. Eu sonho com costas. E Costas. Mais as Costas.
Sabe que assoreia agora tudo e tudus essas coisas de toda uma vida de quatro anos? E o seu deus, o tal, viu que é bom. Então deixa sedimentar aí, com o peso do arzão todo da coluna do moço Torricelli, na margem fecunda de faraós ou não, mas fecunda.
Meus deuses, Frio e Café, me bastam hoje, e não me deixam soçobrar. É, sou barco, lembra? Aquele que só é importante e útil por causa do espaço que é não-barco. Poderia também ser urna, garrafa, copo, caixa. Mas prefiro barco. É. As Costas. E também é um truque para não queimar mais barcos.
Eu sei, chavoneio.
Então eu vim aqui dizer que faz frio e eu fico felizinho. A
tattoo dói no frio, a parte recém colorida de todas as cores tudus de todas as vidas que ainda não percebi. E me lembra que fui mesmo eu que escolhi o ritual de dor. E não vai me deixar mais esquecer. E a tatuagem se completa sábado, dia de jogo de Copa, mais dor, mais Copa, mais um ciclo, mais um fim.
Closure.
Auguri, menina. Se me vir por aí, não atire. Assovie. "Take Five" estará sempre de bom tamanho.