20060630

Blind Dragon

cor, afinalRelapso, sim. A cor do dragão começou a ser feita no sábado passado, mas minha vida entrou numa fase estranha. Não, eu não desenvolvi uma segunda personalidade cool, ainda. Mas a operação de safena do seu pai faz com que você pare um pouco para reavaliar como vem se movendo no mundo. Então nada mais faz muito sentido e é preciso inventar um outro sentido, que o chão falha e o incauto queria, já bem dito, andar o mundo sem pisar a própria sombra.
Mas taí a foto da tattoo, amanhã é a última sessão, já que não ligaram desmarcando. Última sessão, última semana antes do aniversário, última chance de me aprumar antes de desabar. Cair com graça, ao menos. Parece bom.
Depois a gente vê o que faz.
Então é isso. Disse que sumiria. Talvez o faça. Talvez não. Talvez eu apenas me disfarce: barba, bigode, tapa-olho, chapéu de lado. Talvez sem o chapéu. Já me pintei, já completo o ritual. Já começo outra vida. Tem jeito de ser boa, mas vai saber. Basta ser nova.
Basta ser minha de novo.

20060628

Ando

Do I so worry you, you need to hurry to my side?
It's very kind
But it's to no avail; I don't want the bail
I promise you, everything will be just fine

(Fiona Apple. "Extraordinary machine")

Desço do carro depois da carona errada, mas solícita, e encaro o frio para andar um bom pedaço de subida até condução que me deixe em casa. É claro que a carona me deixa ao lado de outra casa, uma das que já habitei nessa cidade-emaranhado-de-outroras.
A subida me pergunta se algum dia já foi fácil?
Olha que já foi, sim.

Toco na sacada porque o vento diz que leva as notas, mas só as que toco certo, até quem saiba escutar. Mas quem sabe escutar hoje em dia? Nem mesmo eu, talvez. E eu sou falso cognato, pareço, apenas, mas sou outra coisa. E deixo a sensação de coisa errada.

Escrevo corrido para não deixar escapar aquele sentimento que me colocou aqui, debruçado no teclado: eu queria dizer obrigado e desculpa e saudades e adoro e não-se-zangue e fica-bem e aprendi e desculpa de novo. Eu vou dar uma sumidinha do mundo. De mim. De novo.

Lavei os pratos, barbeei-me, memorizei as senhas dos cartões de crédito, chequei os hospitais que meu plano cobre, troquei as pilhas e carreguei as baterias, peguei os mapas, deixei o dinheiro da faxineira, coloquei a resposta automática no e-mail, gravei os MDs, paguei as contas e não fiz a mala porque cabe tudo o que preciso na mochila. O clarinete, inclusive.

E, se lá houver pão, é o que preciso. Durmo onde deixarem. Ando onde deixarem. E volto quando me fizer apresentável.

20060627

Je est un autre

Alguma coisa aqui dentro quebrou, sabe? Não sei o que é ainda, mas quando souber eu te conto.

[…]

As rachaduras! Bem lembrado. Vou olhar todas as frestas daqui até Rabat. Quem sabe acho tudo o que perdi. Ou uma moedinha.

Tem chá e tem terapia no segundo semestre, que este aqui já era, meus 36 anos já eram, meu bom-senso acabou e eu tenho de achar ao menos a moedinha, que ainda não deu pra comprar mais nada pra casa.

[…]

A moeda? Desistida, perdida, devidamente esquecida. Achei uma vida velha nessa jornada arqueológica de Trás-de-sofás e Meios-de-tacos, mas fingi que não a vi. Não me cabe mais.

Whitman me diz que eu não escrevo por moedinhas:

I do not say these things for a dollar, or to fill up the time waiting for a boat;

E tenho outra vida e vidas e elas cheiram a casca de laranja seca e açucarada, e a praia de costa do Atlântico com o sol se pondo no mar, e a neve.

Minha operação, na Copa. Paolo Rossi fazia seus tentos contra o Brasil enquanto se me arrancavam os pontos. E doía. Outra dor, outra vida. Meu pai (outro Paulo) opera nesta quinta. Safena. Outra Copa. Outra dor. Certamente, hoje, outra vida.

Outro dia, outro jeito de pensar outras coisas de pensar. Outra vida para aprumar e ver derrapando, derrapando, indo de esgueia à bancarrota, ao deus-dará. E dará, que quando se pede outra vida no meio da noite não-dormida por conta de pesadelos que, eu juro, não sonho mais, nasce o sol e já lá vai o Amarelinho encontrar gigantes e lhes dar bons-dias.

Mas já não sonho em ter três metros, que morreu o moço, com um gancho nas costas. Eu sonho com costas. E Costas. Mais as Costas.

Sabe que assoreia agora tudo e tudus essas coisas de toda uma vida de quatro anos? E o seu deus, o tal, viu que é bom. Então deixa sedimentar aí, com o peso do arzão todo da coluna do moço Torricelli, na margem fecunda de faraós ou não, mas fecunda.

Meus deuses, Frio e Café, me bastam hoje, e não me deixam soçobrar. É, sou barco, lembra? Aquele que só é importante e útil por causa do espaço que é não-barco. Poderia também ser urna, garrafa, copo, caixa. Mas prefiro barco. É. As Costas. E também é um truque para não queimar mais barcos.

Eu sei, chavoneio.

Então eu vim aqui dizer que faz frio e eu fico felizinho. A tattoo dói no frio, a parte recém colorida de todas as cores tudus de todas as vidas que ainda não percebi. E me lembra que fui mesmo eu que escolhi o ritual de dor. E não vai me deixar mais esquecer. E a tatuagem se completa sábado, dia de jogo de Copa, mais dor, mais Copa, mais um ciclo, mais um fim. Closure.

Auguri, menina. Se me vir por aí, não atire. Assovie. "Take Five" estará sempre de bom tamanho.

Do I hear "nerd"?

Isso faz mais sentido que um iPod, IMHO.

20060626

Um nada

Pode ser o mood, pode ser a chuva, pode ser o fato de eu ter deixado passar, pelas frestas da minha vida sem direção, algumas coisas importantes. Pode ser excesso de Bepantol, pode ser a falta de nicotina, pode ser a minha sem-vergonhice acabando, mas fez sentido o bastante para divulgar. A pseudo-ciência tem algo de ingênuo, mas eu prefiro acreditar que seja uma piada, uma grande piada.
Em outro post eu falava de minigâncias, de ossos de borboleta. E volta a fazer sentido. Pode ser o excesso de trabalho, pode ser a Copa, pode ser a falta que você me faz.

Não me afobo não

Mas eu pre-ci-sa-va tocar esta semana. Puerra…

20060623

Hora de estúdio

Perguntava Hector: can you write yourself out of this one?
Hm… Acho que, talvez, eu possa me livrar dessa tocando com a banda.
Si bemol. A vida em si bemol.

(Too late to run for cover…)

Eu juro que…

Charlie Brooker has a point.
Afinal, the only thing you have to be good at is lying…

Preciso do seu apê

Bacana. Mas deveríamos fazer isso ao menos uma vez por semana.

Ooo La La

Ação sexista, idiota, morônica e adolescentemente hilária.

(é, eu anglicizei no morônico, me deixem)

Oh, Gizmo!

Do Oh, Gizmo!:

- Só seria melhor se fosse bicolor.

- As possibilidades de se usar, além de som, imagens, textos e qualquer outro tipo de arquivos no mix muito me interessa.

20060622

Bis repetitia

De qualquer maneira, eu realmente não quero ter dezesseis anos de novo. Ah, não. Auto-sabotagem é muito demodée.

Fútil. Me deixe.

Porque eu estou mesmo precisando de mimos, oras. Então vocês podem me dar isso de aniversário e eu faço o café e forro a mesa com sulfite…

20060621

Solstício made me do it

É, bom inverno, mes amis. E tomem lá:

Koans are open-source philosophy.

Coolest kid in town

Não quando eu era criança, porque essa coisa de ser DJ da festa era para os carinhas muito nerds, feios e chatos, que não pegavam ninguém e ficavam trocando a música para nós, pessoas com algum trato social, dançarmos e ficarmos. But I digress… Se fosse hoje, meu sobrinho seria the pimpest com o Tomy. Meu aniversário está chegando e eu não ligaria de ter um desses na sala. Coffee table cool stuff.

Armless John

Do I contradict myself?
Very well then… I contradict myself;
I am large… I contain multitudes.


Whitman, crianças…

20060620

A arte de permanecer calado (definitivo)

Writing and talk do not prove me,
I carry the plenum of proof and everything else in my face,
With the hush of my lips I confound the topmost skeptic.


Walt Whitman

20060619

Sick they call me

Para mocinhas com tattoos da Emily (the Strange), o pen drive perfeito.

Do me like a lady

Cafu e Cacá (isso, sem kk) no Bubble Project, uma bobagem das mais bobagens do amundo.
Às vezes engraçado.

20060618

A arte de permanecer calado (Ballad of the bi-polar)

Let the chips fall where they may.

Diz se é complicado a gente ser feliz?

Who doesn't know
I'm a big mess?
I mean, a really big mess?
A big, big mess?
(he was all mixed up
and a big mess)


Post esquizofrênico após conversas com amigas que me conhecem mais que eu mesmo, porque amigas são assim: vêem você com mais clareza do que você jamais será capaz.
Amnésia e déjà-vu ao mesmo tempo. E eu tenho mesmo a impressão de que já esqueci isso antes. Só não me lembro do que era.
Amor é koan. Ou Amor é uma paçoca.

Amiga além da conta diz assim: Canagaro Giallo, você precisa se apaixonar. Eu, noinha, sabendo que paixão é paixão, vou aureliar antes de bloggar, para ver confirmado que paixão é um oximoro auto-contido, em termos. Paixão é cólera e dor e extremos e, sempre, qual seja a acepção, insanidade. Eu preciso me perder, amiga bioluminescente; deixo para me achar depois. Ou deixo que alguém me ache. Eu disse uma vez que trocaria carradas de razão por uma paçoca Amor. Hoje o que tenho é uma barra de Nutry. Sanitizada. De apenas x calorias (que deve ter algo assim na embalagem). Amiga listrada (ilustrada) sabe que eu não gosto de fast-food. Senão eu comprava no Thundercat Games.

Amiga em si bemol pergunta por que mesmo que o sujeito só pode ser feliz com alguém. Ou outrem, no caso. Eu não sei (não respondo porque eu sei que pode, mas não quer). Eu deixo o tempo dizer. O tempo não diz nada. Eu paro para ouvir. A chuva diz muito, o frio diz mais. E eu decidi pela cafeína em vez da nicotina. Mas a sem-vergonhice (mais renitente que o mau humor, muito embora este seja mais publicizado) não me deixa ser racional. E o Thundercat Games demora meses para trazer bom-senso. Eu não tenho meses.

Amiga semestral (magna cum lauda) diz que a pulga atrás da orelha lhe falou que eu been there e done that. Então que seria burrice, mas burrice, ela quer, não combina comigo, e nunca nesta época do ano. Nós chegamos à conclusão, mas sabemos que falta a pecinha, o diabo do conector que liga as conclusões óbvias aos atos sensatos. E, essa, nem o Thundercat Games vende.

20060615

Capitulando

Faites des bêtises, mais faites-les avec enthousiasme.

Quem sabe?

Eu não sei.
Mais confuso, um pouco mais confuso.
Vou dar uma volta.

20060612

Sharks patrol these waters

Don't you worry about the day-glow orange life preserver
It won't save you
It won't save you

(swim like a motherfucker)

Frio

Há alguém com quem você queira falar?
Hoje eu só quero ouvir.

20060611

Fact is…

There was never any more inception than there is now,
Nor any more youth and age then there is now;
And will never be any more perfection than there is now,
Nor any more heaven or hell than there is now.

Urge and urge and urge,
Always the procreant urge of the world.


(in Leaves of Grass [Song of myself]. Walt Whitman)

Derrière

Bee, você sabe que eu não durmo por causa dessas coisas, coisa.

esteatopígio: relativo a esteatopigia; que ou o que apresenta essa condição.
esteatopigia: hipertrofia das nádegas por acúmulo de gordura.
calipígio: que tem belas nádegas.

Não-tão-sutil diferença.

20060610

Perfeccionismo

preto completoMarcão, o tatuador, achou necessário completar um pedacinho, para dar equilíbrio à composição. É claro que esse pedacinho tinha de ser em cima da clavícula, e do ombro, os lugares que dóem. Aliás, eu já quase esquecera que tatuar o peito dói também.
À parte o chororô, taí o crisântemo pintado, o lado direito fechado, e um sábado (o próximo) de descanso por conta do feriado: o cara não vai trampar.
O dragão espera, eu espero, a vida em hourglass mode deve durar até julho.
Coisas do futebol.

20060608

Mais um tentáculo das gravadoras na cova

Pegue seus CDs e troque. Pague um dólar. Eles juram que dão 20% para os artistas. E ainda serve de Pandora (Audiogalaxy recommendation) of sorts.

Já o Myspace dá uma de Armless John: By displaying or publishing ("posting") any Content, messages, text, files, images, photos, video, sounds, profiles, works of authorship, or any other materials (collectively, "Content") on or through the Services, you hereby grant to MySpace.com, a non-exclusive, fully-paid and royalty-free, worldwide license (with the right to sublicense through unlimited levels of sublicensees) to use, copy, modify, adapt, translate, publicly perform, publicly display, store, reproduce, transmit, and distribute such Content on and through the Services. Quem lê os termos e condições antes de meter o dedão no "I agree"?

Cela existe. Pas ici, mais maintenant.

Bien sûr. Anistia Internacional pegando pesado. Que bom.

Chutando cachorro morto

Eu assistia ao programa do cara, uns pedaços, ao menos, no canal do Real Media, no século passado. Jon Stewart continua em forma.

Share or be banned

Paródia do Captain Copyright: Captain Copyright - Episode 12: Sharing Is Evil.
Sharing is baad, mmmkay?

20060607

Eu não sou legal

Nem esse cara: Wired News: Google: Don't Not Be Evil.
Lovely. Just lovely.

20060606

Por que aqui estamos?

To worship.
Não, quero dizer, por que trabalhamos com internet?
Para fazer esse tipo de coisa ser divulgada.

C8H10N4O2

Quis V que este seria meu presente ideal de aniversário. Viciado e nerd, é essa a imagem que eu passo?

20060605

Algo errado, profundamente errado

Sigue Sigue Sputinik no Rose Bombom.
Peraí que acho que acordei no ano errado.

Wasted

Still not sure I can concoct that potion.

20060603

Colored

cor, afinalVárias cores, além do meu amarelo natural. Oitava sessão. Vinte e três horas. Superando o medo de estragar tudo com as cores.

20060602

Life imitates bad art

Eu disse, outro dia, que precisava mesmo era ter um coração feito de células-tronco. Pois.

Mais uns minutinhos

Estão aí. Todas elas, as possibilidades. Infindáveis, incomensuráveis, imperscrutáveis. Não é agora que se me exige a decisão. Não é agora que se me exige viver, francamente. E, francamente, elas existem todas in potentita, e nenhuma existe, todas elas pequenos gatos de Schröedinger, como gostaria meu evil twin.
Cadê que eu tenha tempo de as considerar em bons peso e medida, em gráficos e planilhas e fiéis de balança? Cadê que eu tenha vontade de fazer de uma delas uma decepção ou uma vida? São bonitos esses mundane eggs todos, enfileirados, espalhados aleatoriamente, rede de Indra of sorts.
Não, cara mia, eu procrastino mais um pouco, que levantar cedo é coisa de dia de branco (e eu não sou branco. Ou apenas meio-branco). Deixa que eu durma mais um pouco (está quentinho aqui, embaixo do futon). Eu sei que está um dia lindo lá fora. O que você não entende é que poderia estar chovendo. E frio. E o dia estaria bom para mim, tanto quanto seu sol azul e céu brilhando. Eu sou o originador da frase "não tem tempo feio", e é isso que você não entende, né?
=P
Vês, já estou em pé.
Já faço o café e viro gente, consigo articular e pensar. Por enquanto, deixa eu ronronar. E sem-vergonhar. Porque, no fundo, você sabe que é o que eu faço melhor. Sem-vergonhar na cama, antes de ser o dia, antes de ser a vida. Antes de ser verdade.
E, se eu perder o ônibus, eu ando. Não foi você quem disse que o dia está lindo?

20060601

A arte de permanecer calado (feat. Friend of Mine)

So, just don't let me fuck up, will ya?