20060531

Reality check

A moça (amicíssima, linda, planejamento online, late 20s) conversa com o pai de uma amiga. Ele comenta:

— Eu estava lendo sobre isso numa teoria econômica… Não era o Hobsbawm, quem era mesmo?…
— John Kenneth Galbraith…
— Isso! Minha filha, desse jeito você nunca vai casar.

A arte de permanecer calado (false start)

No bye. No aloha.

20060530

At last

Ah, bondosa alma. Ah, pessoas com tempo de sobra e noção. Ah, uma base de dados searchable de Calvin & Hobbes.
Ah, internet serve para isso.
heaven

Pânico

É complicado, é delicado, eu mesmo não gosto de dar uma de alarmista. Mas isso parece sério.

o_O

20060529

A arte de permanecer calado (moog mix)

The music that we make will heal all our mistakes and lead us.

20060527

A arte de permanecer calado (revisited)

Meu sangue errou de veia e se perdeu.

20060524

A arte de permanecer calado

Is friend a four-letter word?

Infinito

Pense em fractais. Pense em universos recursivos. Pense em padrões determinando padrões. Pense em coisas simples que são geniais. Agora esqueça. E veja.

20060523

Oração

Afinal, em mim cresce o silêncio. Silêncio baço, silêncio surdo. Silêncio credor.
Silêncio ladrão de ilusões filosóficas de paz. Ilusão de andar o mundo sem pisar na própria sombra, e descobir a cada vez uma nova maneira de não pisar na própria sombra.
Amanhece cheiro de chá de jasmim. A caminho são cheiros impossivelmente precoces de alho dourando, um pouco de sálvia, parece, ou alecrim. Cheiro de gripe, cheiro de pés e meias frescas, gente recém colhida, cheiro de cidade velha.
Chega cheiro de cachorra obrigada ao relento, de café quase bom, quase café. Segue cheiro de cigarro, cheiro de idéia morta, de vontade empacotada, selada, etiquetada e engavetada.
(sim, caríssima, com abundantes carimbos)
Chafurda cheiros de silêncios. E de rumores quais simpatias, pois temem os silêncios.
Anoitece cheiro de chuva tímida, chuva comedida. Anoitece cheiro de cigarros e cheiro de frio. Embebedo-me de frio. E volto cheiro de senhorinha naftalilna pó-de-arroz colchonete quase novo no saco plástico. Comuto cheiro de obra, cheiro de Havaianas em dia de chuva e dezesseis graus.
Quinze.
E silêncio.
Conheço esse silêncio, silêncio enodoado, silêncio estupefaciente. Água de silêncio que desta feita, parece, faz vezes de transbordar.
E não sei o que fazer quando transborda o silêncio. Nunca tive de lidar com isso. Serve pano de chão com urdidura de notas frescas do clarinete? Serve balde com formato de peixe? Serve beber tudo antes de cair (tudo) no chão?
Serve chorar?

Silêncio sagrado de catedral em Santarém, às Portas do Sol, me deixa ser apenas veículo. Passa e não deixa marca, não leva palavra que me desabone. Silêncio eterno de radiação de fundo, medida alhures, permite que eu apenas chore um choro do meu tamanho, em honra a ti. Dá-se ao infinito e não reclama o que me pertence. Silêncio passado, sê breve.
Amém.

Gardenal

Alguém aqui se lembra do Alborghetti? Demônio! Pelo dedão do pééé!
Salvai-nos, santa maria do efeito moral.

Dangereuse

E é preciso notar que tenho imenso prazer em reler liaisons, bolg do ABAV, que não sabia ainda estar na ativa.
Esse povo é renitente, ainda bem.

K-mart

De onde você tira essas idéias, mr. Gaiman? Daqui, ué?

Honey-Bunny

Casablanca, e a descoberta do avançado da própria idade ao saber que boa parte das minhas amigas jamais assistiu ao filme.
Seu ibope anda baixo, Sam. Nobody's listening.

Think again

MAV está de volta e meus links precisam de revisão. Vem apontando uma lista de erros comuns. Salve.

20060522

Quanto vale o show?

Ou, no caso, o domínio? Esses caras desenvolveram um sisteminha para dizer o quanto vale um domínio, baseado em fatores como palavra dicionarizada, comprimento, presença no archive.org, desempenho na busca do Google, do Yahoo e do MSN Search. O FRBK disse para eu vender meu domínio e comprar um carro…

The matrix inside the matrix inside the matrix

A coisa mais bacana sobre o WoW que fiquei sabendo foi a praga que um monstro fodão jogava nos personagens (em um dungeon para maiores) e que se alastrava para os avatares que estavam por perto. Acabou dizimando aldeias inteiras quando os sobreviventes do dungeon voltaram para "casa". Teria sido mais legal se algum shaman tivesse descoberto uma cura e pudesse distribuir aos aliados. Ou se ele pudesse vender. Ou se ele pudesse inventar uma praga mais potente.
Agora essa: Tringo! O melhor mesmo é quando o maluco que passa o dia jogando reclama que o jogo (Tringo) está minando a cultura do jogo (Second Life).
Read my lips: go-get-a-fuck-ing-life-ya-lo-ser.

20060521

Tempus fugit

Assim, ao acabar de ler o Raduan Nassar (Lavoura arcaica), pega-se o Faulkner (O som e a fúria). E tens aí mais um livro sobre o tempo. O ônibus chacoalha e o osso da bunda se conecta ao osso das costas, que se conecta ao osso da cabeça. E o célebro, lá dentro, chacoalha a cada solavanco para ver cair da estante o Agostinho.
E o tempo dos físicos.
E o tempo dos esquecidos.
Não ajuda que o Eco (A misteriosa chama da rainha Loana) e o Murakami (Norwegian wood) quisessem resgatar o passado para entender… Alguma coisa.
Quem sou eu para entender alguma coisa?
Mas era o tempo, essa dimensão desacreditada e ignorada em todos os momentos, exceto aqueles em que não há tempo. E uma dimensão de difícil entendimento, posto que nos leva a considerar a pluridimensionalidade inescapável. Mesmo nessa vidinha de nine-to-five.
E o tempo, dimensão, tem lá seus caprichos e me acorda, pensando em por que raios os atos presentes que, temos certeza, modificarão o futuro, não modificariam o passado? E aquelas porras de partículas-com-sabores riem-se da minha cara enquanto ignoram o tempo. E o filme de hoje falava da árvore que dá o fruto do futuro.
E o tempo que me elude e eu já não sei bem se esperar ou se agir ou se acreditar ou se evadir.
Não há resposta, não uma trivial, não uma de almanaque. Não há modelo, não há lei ou Time for dummies à venda na Fnac. Eu preciso de quatro anos — a idéia que toma corpo e já me parece definitiva, ainda que eu saiba que não serão quatro, os anos. Tempo.
Mas Faulkner foi buscar no Shakespeare (Macbeth), e talvez eu deva ficar bem quieto no meu canto, somando risos, aprendendo a tocar e tomando chá:

To-morrow, and to-morrow, and to-morrow,
Creeps in this petty pace from day to day
To the last syllable of recorded time,
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death. Out, out, brief candle!
Life's but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more: it is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing..

Mirrormask

A sensação era a de ler um quadrinho de McKean e Gaiman. Delicioso ver como os frutos da imaginação (e talento) bizarra de McKean se mexeriam, como seria a cor, a iluminação. Qual a trilha sonora.
Mirrormask é uma história para crianças, uma história bem razoável, no nível de Coraline e The day I swapped my dad for two goldfish. Ou seja, no limiar entre o bom entretenimento e o quadrinho fodaço. Não, Pedro Bó, Gaiman não é boa literatura.
Mas ninguém ia mesmo assistir a esse filme por causa do Gaiman (tá bem, alguns darks semi-letrados). Não cheguei ao cúmulo do frame-a-frame, mas vou assistir de novo. Fácil.

20060520

Que venha a cor

preto completo
OK. Eu roubei e usei o truque sujo que me sugeriu Marcão, o tatuador: dorflex. Quase dormi na maca e a dor na clavícula foi a mesma. Meus reflexos é que estavam retardados. Quer saber? Vale mais encarar sem remédio. Em junho, começamos a colorir. Se a Mi não cumprir a promessa e levar um estojinho de Sylvapen…

20060519

404

Uma das melhores.

Mais aqui.

Go granma!

no means noAtitude é uma giriazinha de neguinho tosquinho e suburbano. Mas vê isso. E depois me diz.

20060518

Se vir que não vai, não force

Ou, abre o olho, japonês.

- arrebenta a boca no ensaio e quer ir para a aula;
- sai tarde porque tem uma porrada de coisas para fazer e quer chegar em tempo para a aula;
- promete gravar CDs e não consegue sequer escutar as músicas que baixou;
- promete a si mesmo que não vai se apaixonar. Nunca mais;
- inventa desculpas para não resolver as paradas porque tem medo;
- vai à Livraria Cultura e não deixa o cartão de crédito em casa;
- acredita na to-do list que faz no trampo, crente que até sexta limpou a mesa;
- finge que vai dormir cedo hoje. De novo;
- jura que sabe o que está fazendo.

Uma coisa que me irrita — sempre irritou — em blogs, são esses posts auto-analíticos. Porra, get a friggin' life, muthafucka.

Speech

Há tempos um discurso não me prendia a atenção. Mesmo com os dois pés atrás, tive de me render e prestar atenção.
Uso de meio é isso. O link veio do Nich.

20060517

TNMJB

Dszjuya nanto o kanka ne. Minoriyamanta wo. Waraesu obujo dowest im'deraawaete. Hahami, wetowani, shiidjisziero hahamiyo taruwe. Wakaa.
Primeira noite algo inspirada no estúdio, é claro que Murphy foi conferir. Nada no MD. Ruídos. Talvez eu deva mandar para o SETI decifrar.
Vai saber quando vou conseguir coisa que preste novamente?
Ré#, Fá#, Sol#, Sib, Dó#. Circulando.

20060515

O medo do goleiro diante do pênalti

Eu não pedi nada. Ainda. Eu não quero nada.
Eu estou de passagem, eu estou verde tentando entender. Eu faço um esforço danado para ficar no mesmo lugar um pouquinho, porque na verdade eu não fico parado. Então é aquele instante de procrastinação banguela, aquele átimo de contemplação. E, vês, já me movo, já ando admirado, sigo.
Não, caríssima — carississíssima —, eu não crio limo. Eu não assisto ao pôr-do-sol. Olho, mas nunca até o fim. Vai ver é uma fuga que não vai acabar. Outros asseguram-me que é só minha curiosidade obsessiva-compulsiva. Há quem tenha dito "wanderlust", o que me fez ir ao Webster, só para olhar por outras acepções. Itchy feet? Vai ver é isso mesmo. Itchy heart. Itchy brain. Dub me Monstro Itchy, eu não ligo.
Eu às vezes corro mais do que a idade ditaria conveniente, corro azul, para ficar no mesmo lugar. Foi porque alguém me disse que a Terra gira a 465,1 metros por segundo. É muito metro. Meio-quilo de metro. Sem miséria.
Eu não pedi nada, ainda. Eu quero tudo.
E, sabe, eu quero alguém. É. Eu conversei conversa de bolinhas com a amiga mesclada que nem eu e ela precisou me dizer o que eu queria dizer a ela. Ela olhou nos meus olhos, sabe, daquele jeito mesclado que a gente tem de olhar no fundo do fundo do olho do furo na hipófise e falou:
— Aham, Monstro Itchy, você quer alguém.
E eu retruquei, porque é verdade. E eu argumentei, porque não é toda a verdade. Porque não é exatamente agora, nem exatamente aquela, nem exatamente assim. E ela retorquiu porque ela sabe que não é assim, e que não é por mal, e que não é tão fácil. E eu redargüi porque queria usar o verbo: redargüir.
E a gente fumou em silêncio brindante.
E eu saí andando, que era preciso. E estou caminhando até agora. Palmilhando, desenho círculos e tento traçar paralelas só para ver se elas vão se encontrar, uma hora. E desenho fitas de Möebius, porque eu sou chato, metido e pernóstico quando acho que não tem ninguém olhando. Porque eu sou um bostinha com noção.
E vou andando ventania, cumprimentando cada terceira pessoa (three is a charm). Sorrindo de graça, ficando abestado com a gente que me olha como se eu fosse fugitivo de filme do Wenders. Mas não sou stalker, não sigo ninguém. Ou sou stalker de mim mesmo, que ourobouro.
Ah, faz assim não, que muxoxo lhe cai bem, e me deixa mais intrigado. Que essas reações de dançar tango dão-me coceira, e o muxoxo que eu quero é outro. E é a sua vez de ir ao Aurélio ou ao Houaiss (e me dizer, para eu não dar mancada, que o VOLP não é uma pessoa, e pode-se ir a ele também).
E olha que a Mesclada está certa numa coisa: eu vou bem é deixar acontecer. E quando eu souber, eu conto.
Eu não pedi nada, perceba. Eu quero você.

Perda de tempo das boas

E uma ótima coceira no cérebro. Dá para expandir a idéia! E se a gente fizesse isso e aqueloutro?
Link do Xoco.

20060514

Norwegian wood

Despite your best efforts, people are going to be hurt when it's time for them to be hurt.

E não é que realmente nos preocupamos demais tentando fazer a vida se adequar à nossa visão de mundo?
E a discussão de deus ex-machina faz sentido, tanto quanto Herbie Hancock fazendo versão de "Norwegian wood".
Bittersweet sunday. With sugar on top.
A saber: é estranho perceber que você me olha não com os olhos, mas com o tempo.
Durma-se com um silêncio desses.

20060513

Tyger

Que muito foda.
E tenho dito.

Não me venha falar em dor

peito parteDor. Muita dor. Não acredite se lhe disserem que não dói. Dói muito.
E, antes que eu me esqueça, nunca, nunca tatue a clavícula. Semana que vem eu tatuo a outra clavícula. Eu devo ter algum problema.

20060512

Comme un Christian

Un baiser, mais à tout prendre, qu'est-ce?
Un serment fait d´un peu plus près, une promesse
Plus précise, un aveu qui veut se confirmer,
Un point rose qu´on met sur l'i du verbe aimer ;
C'est un secret qui prend la bouche pour oreille,
Un instant d'infini qui fait un bruit d'abeille,
Une communion ayant un goût de fleur,
Une façon d'un peu se respirer le coeur,
Et d'un peu se goûter, au bord des lèvres, l'âme!


(Edmond Rostand, Cyrano de Bergerac)

20060511

Sine die

Hoje eu queria não saber.
Eu queria não ser.
Hoje eu queria não estar e não ter porquês.
Hoje deveria não existir. E eu como o dia.
E o dia como assim.
(E os joguinhos de palavras não escondem o que eu não reconheço.)
Hoje é dia de fingir. Não sendo.
O quando sucumbe ao peso do quem e o como, bem, o como morreu de desgosto depois dos trocadilhos. O "o quê" é anti-matéria. Onde, não importa mesmo; embora seja aqui. Sempre aqui. E não tente entender os porquês. Não vale a pena. Don't even bother.
Fica assim:

I can tell you taste like the sky because you look like rain.

No hay banda

Lua cheia durante todo o caminho de volta e frio que quase te arranca um sorriso da bela mancada da luz esvaindo o erro do senhor a cabeça que vai a mil e não só o turbilhão a sede a água mas os dedos gelados que pensas conselho não dorme agora é só uma coisa o espelho o carro nem sabe mais e fita a lua e volta e meia a gente sai para olhar o céu e não acha não sabe sem querer acertou e talvez na cabeça que sonho que leviandade alterna recria-se joga recolhe e topa consigo amansa acalma afoba aprende esquece o dia que vem a hora não chega não colhe e coloca no forno no freezer quatorze graus é pouco é tudo não era para tanto respira respira repensa refaz caminho não acaba e a lua está linda farol e neon e monitor que "flica" e dedos correndo.
É tarde, eu sei.
¡Silencio!

20060510

Air

começo do fundo
Sábado, esse que passou, marcou a metade da tattoo pronta. Com as sombras do dragão feitas, falta sombrear o peito e começar a cor. Clavícula e esterno… Já comprei o dorflex.

20060509

Yo, Spike-o.

Não que eu esperasse muito, mas esperava Spike Lee. Besta eu. O Plano Pefeito (Inside man) é um bom filme de ação. Não muito mais. Podia ter esperado sair em DVD.
Yo, Spike-o, ya softenin' my man?
Aliás, puta resenhinha mais safada essa aí, não tem vergonha? Parece coisa de jornalista…

Oi?

Oi? Não, eu só tô fazendo número.
Oi? Não, não tenho crachá.
Desculpa? Não, não sei se passa o Pirituba via Largo dos Aflitos.

20060508

Domingo tedioso: cinema.

Crianças invisíveis (All the invisible children) reúne sete diretores em episódios curtos retratando a vida de crianças em países diferentes. Crianças de vida não lá muito fácil.
"Tanza", de Mehdi Charef, é explícito e quase tocante, embora com truques meio batidos.
"Blue Gypsy" é Emir Kusturica e seu humor negro. E sua música balcânica/cigana. Vale para relembrar Kusturica.
"Jesus children of America" trouxe as primeiras lágrimas nesse manteiga derretida, com uma bofetada nos Estados Unidos. Agradecimentos a Spike Lee.
"João e Bilu" reúne Cidade de Deus e Central do Brasil, e vale pela cena final. Kátia Lund é co-diretora de Cidade de Deus, aliás.
"Ciro" é o episódio mais hermético, com boa fotografia e um tom que me pareceu autobiográfico. Stefano Veneruso dirige. E eu não entendo uma palavra do dialeto napolitano.
"Johnathan" é qualquer coisa. Ridley Scott at his worse.
"Song Song and the Little Cat" me fez chorar como a besta que sou. John Woo acerta até quase o final, quando caga tudo com uma cena dispensável e brega. Tirando isso, ele podia ter mais uns 20 minutos para desenvolver.

Às 23:37, numa Paulista de 15ºC, eu chamaria de um bom início de semana.
(e o baba au rum estava bem bom)

20060507

Itch

I am having intercourse with you now. I am inside you. But really this is nothing. It doesn't matter. It is nothing but the joining of two bodies. All we are doing is telling each other things that can only be told by the rubbing together of two imperfect lumps of flesh. By doing this, we are sharing our inperfection.

(Murakami in Norwegian wood)

Domingo modorrento, amigos íntimos

— Em resumo, eu diria que seu problema é pendurar.
— Como?
— Você manda pendurar. Você põe na conta.
— Oh, grão-mestre das metáforas requenguelas, iluminai esta vossa humilde seguidora, anauê!, alalà!
— Muito embroa não tenhais te curvado corretamente…
— Não me encha. Eu sempre posso dizer que estou de TPM ou chorar. Eu tenho você nas mãos, XY de merda.
— The king kameha-meha bitch!
— Sou seu pior pesadelo.
— E nós vamos ficar sem chavões em breve. Você está com seu cartão do Makro?
— Fala, besta!
— É assim: você parece sair incólume dos seus relacionamentos. Tudo parece fácil, tudo parece perfeito. Sem seqüelas. A casca que nós, menos afortunados, vemos, é imaculada.
— O que não quer dizer…
— Calada. Não gosto que falem enquanto estou interrompendo.
— Ronc!
— Veja, bem , meu bem. Ir ao fundo, como quase tudo, tem um preço, preço esse que nem mesmo eu gosto de pagar. É uma foda, mas eu pago. Eu faço crediário, enfrento fila nas Casas Bahia, mas pago. Você não paga. Você flana como se não fosse com você. Rola a dívida: sabe esquema de cartão de crédito? Então. Só que o rombo vai aumentando.
— Chama o Ricúpero!
— Chame a mãe do Badanha, se quiser. Eu vou comprar pipoca para assistir.
— Quanto ódio!
— Não é ódio. Nem inveja. E vou te poupar de usar o termo "compaixão".
— Merci.
— Mesmo porque, você não merece.
— Isso, bate mesmo.
— É só que… Um dia, a conta chega. Seu nome já está sujo. Um dia vêm o cobrador com cães farejadores, o FBI, a Força de Paz da ONU…
— A Opus Dei…
— A Liga das Senhoras Católicas de Cinta-liga e fodeu. Vai passar o resto da vida quebrando gelo na Sibéria.
— E por que raios eu deveria me preocupar? Eu assumo os riscos. Além do que, você sabe que isso acontece porque…
— Oras, não me venha com esse papo de ser da sua natureza. Você sequer tenta! Você finge que tenta. E lá vai você, charmosíssima, assinar uma bosta de contrato novo. E lá vai deixar de entregar de novo. E mais um rombo, minha gente. Sabe o que eu queria entender?
— Ai, o quê?
— O que você faz com toda essa grana?
— Hm… Acho que eu compro roupas boas para conseguir uma nova linha de crédito. Maior.
— Compensa?
— Eu não sei se compensa, mas não posso me furtar, saca? Sou uma moça de gostos caros.
— E que, no fundo, é mesquinha como todos nós.
— Sou uma perdulária.
— Não, não é. Sequer pródiga. Você finge de morta até a próxima bancarrota.
— E o que eu faço, Nassif?
— Poupe. Dá um tempo. Vai ralar um pouco, vai pagar essas porras de dívidas. Faz análise!
— Tudo isso é moito chato. Só falta você me aconselhar a pagar à vista e nunca mais gastar um tostão.
— Nah. Só presta atenção para não acabar num subemprego o resto da vida, pagando só os juros.
— Juros de mora.
— Dívida interna.
— Metaforazinha fraca.
— Eu tive um dia difícil.

20060506

You've got me in between the devil and the deep blue sea…

20060505

Get your fix at Route 66

Insone.
Apaputa.
Olheiras, olá.
Concentração, adeus.

20060504

Exercício de futilidade

[…]era como atirar pedras num rinoceronte, ele nem percebe e continua fazendo as suas coisinhas de rinoceronte, enquanto você fica vermelho de raiva e acaba tendo um ataque.

(in A misteriosa chama da rainha Loana)

Morte aos numerólogos

Hoje, na hora que você sair do trabalho, olhe no relógio. Será uma hora mágica. O visor mostrará 18:37:42 05/04/2006.
Esse número mágico só acontecerá uma vez na história cristã, embora já tenha ocorrido na chinesa e na judaica. Ele significa que você tem de parar de mandar e-mails imbecis sobre horas únicas e mágicas e fazer algo que preste.
Tipo cortar seus pulsos.
Agora pode voltar ao PPT de anjinho que você estava vendo.
Ptu!

Zen é o teu passado

Concentre-se.
Pare o que está fazendo e escolha um ponto no ar. Fixe seu olhar nesse ponto e deixe que o mundo se acabe em barranco.
Sinta.
Quando chegar o tédio, coce a bunda.
Agora que o tédio chegou e você ainda se pergunta os porquês da vida, do pé-na-bunda, do resultado do jogo, da dimensão do fractal, da Odete Roitmann, da porra do gato que está vivo e morto ao mesmo tempo, do tempo ruim, do timing sempre pior, da sua incapacidade de expressão, da generalizada incapacidade de articulação, da possibilidade dos seus atos causarem efeito no eixo do tempo independentemente da direção, na cor da cueca que vai usar amanhã, esqueça.
Esqueça tudo.
Esqueça aos poucos, mas esqueça tudo. Tudo o que você sabe, tudo o que aprendeu, tudo o que importa, tudo o que existe e não existe. Esqueça as contas vencidas e o café fraco, esqueça as viagens programadas, as dores auto-inflingidas, as culpas. Esqueça que você foi, que tentou, que já não consegue, que um dia fará. Esqueça até esquecer o que estava fazendo (estava esquecendo, mas esqueça, não tem importância).
Agora que você já não lembra de nada, não sente mais nada e sabe-se lá como é que ainda consegue entender o que eu digo, pare de respirar um momento. Feche os olhos e ouça. Tape os ouvidos e sinta o cheiro. Tape as narinas (você pode precisar de mão alheias agora, é bom que tenha amigos) e sinta com o que quer que seja, qualquer pedaço de corpo com capacidade sensorial que tenha sobrado.
Desliga essa droga de pele e não sinta.
Estamos quase lá.
Agora é só sua cabeça funcionando. Só essa imagem construída arbitrariamente por essa sua mente doente e disfuncional.
E então?
Viu diferença?
Nem eu.
Aprender o quê? Não, quem falou em aprender, tá doido?
Era só pra matar o tédio.
E nem isso...

20060503

Eu teclo do Jardim Ângela

canguru socado: Essa parada já estava aí? Não, hein? Eu tava aqui mór cara, tenho certeza de que isso é novo.
truta jão no veneno: Vixe, mano, nem vi.
[…]
canguru perplexo: Essa coisa era destamanho?
truta jão: ué, cê já não tinha falado nisso?
canguru perplexo: Não, eu sei que ela está aí miliano. Estou perguntando se ela era desse tamanho todo. Eu tenho a impressão que não.
[…]
canguru do mar: Ô, tru, desculpa perguntar, encher de novo, mas isso dava essa coceira? Fazia acordar esquisito? Perder o sono? Rir à toa?
truta jão, de volta à quebrada: Aê, noinha, ainda nessa? Achei que tinha desencanado.
canguru do mar: Não, cê não está entendendo, não dá pra acostumar. Parece que cada dia fica diferente. Sei lá, vai ver eu tô louco mesmo.
[…]
truta jão: E então?
canguru amarelo: Então?
truta jão: A coisa.
canguru amarelo: Ah, tá aí.
truta jão: Não incomoda mais?
canguru amarelo: Mano, sabe o que eu descobri? Que não. Que faz bem. Que é esquisito e tal, mas que não faz mal. Na verdade eu não sei se me incomoda. Eu não sei mais nada.
truta jão: Saquei.
canguru amarelo: Não, acho que não sacou. Eu não saquei chongas. Mas é assim, ó: baixou no pico quando eu tava fora; ficou aí porque eu não me mexi; começou a crescer e eu não dei trela: e até que era bonito de se ver. E eu sou curioso, você sabe.
truta jão: Sei bem.
canguru amarelo: Então. Agora me incomoda, me provoca, me tira do sério, me faz desviar o caminho e descobrir umas paradas estranhas, uns trecos que eu achei que tinha perdido.
truta jão: Então não vai tirar daí?
canguru amarelo: Não. Quero ver o que vai fazer quando acordar.
truta jão: Medo?
canguru amarelo: Claro que eu tenho medo, cê tá louco?
truta jão: E?
canguru amarelo: E que minha falta de vergonha na cara é maior.
truta jão: Hahahaha
canguru amarelo: Pô. Mas é assim, né? Vai vendo, eu não pedi nada. Não sei como essas porras pegam a gente na curva, mano. Bagulho é mil grau!
truta jão: Demorou.
canguru amarelo: Né?
truta jão, pai do sarampo: Mano, sabe o que eu acho? Que você já tá ligado, que tá só no sapatinho; desbica, loko.
canguru amarelo: Cê acha?
truta jão, pai do sarampo: Sou teu aliado faz quanto tempo, tru?
canguru amarelo: Vixe, nem lembro. Pai do sarampo? Hahahahahahahaha.
truta jão, pai do sarampo: Então me ouve. Cê tá viajando. Sai andando que você sabe que não vai virar.
canguru amarelo: É?
truta jão, pai do sarampo: É. Cê nem sabe o que é, doido.
canguru amarelo: Não. Mas é por isso mesmo. Deixa vir. Deixa vir que eu verso. Deixa vir que eu já nem ligo. Tento a sorte, fico pequeno, sem miséria. Sem miséria, manja?
truta jão, pai do sarampo: Sifudeu.
canguru amarelo: É, sifudi. Bora nóis.

Itchy

Itch. And then, it itches.
E sabemos bem do que falo.

(more on the subject later)

Murakami bis

[…] Midori said she thought it would be fun to have a look at the dorm. There was nothing fun about the place, I told her: "Just a few hundred guys in grubby rooms, drinking and jerking off."
"Does that include you?"
"It includes every man on the face of the earth," I explained. "Girls have periods and boys jerk off. Everybody."


(in Norwegian wood)

20060502

The Interior League

Quase como em Enigma, de Milligan, uma mudança ridícula na sala fez tal diferença de mood que põe a gente pensando em reversed-feng-shui.
Sim, a Ana estava certa.

Murakami

"Hey, tell me, what d'you think the best thing is about being rich?"
"Beats me."
"Being able to say you don't have any money. Like, if I suggested to a classmate we do something, she could say, 'Sorry i don't have any money.' Which is something i could never say if the situation was reversed. If I said 'I don't have any money,' it would really mean 'I don't have any money.' It's sad. Like if a pretty girl says 'I look terrible today, I don't want to go out,' that's O.K. But if an ugly girls says the same thing people laugh at her."


(in Norwegian wood)

Kino

Os olhos de Laura Mars (Eyes of Laura Mars) fez-me lembrar da infância. É, velho caquético. Ver Tommy Lee Jones e Faye Dunaway (sequer comento Raul Julia) tenros, muito embora trintões, foi assustador. E as fotos de Helmut Newton (Bee matou em dois frames, maestro Zezinho) me mandaram direto para as Playboys da década de 70. A trama? Boa. Fiquei pensando "de Palma". Já quase dá para passar na Sessão da Tarde (isso existe ainda?)

E Brasilintime (batucada com discos) é de fazer chorar. Depois da tarde de quase tocar funk, não vou dormir tão cedo:

"Ana, você se viu tocando lá no meio?"
"Demorou…"

Agora é torcer para ainda ter ingressos para o show, que o mané aqui dormiu de touca.
E arranjar mais malucos para fazer som.
Blé.

Eco

Diz Gragnola, ditto Gràgnola, non Gragnòla:

[…]Pegue Deus. Um fascista.

Mas você não é ateu, não diz que Deus não existe?

Quem disse isso? Dom Cognasso, que não entende nada de porra nenhuma? Eu acredito que Deus existe, infelizmente. Só que é um fascista.


(in A misteriosa chama da rainha Loana)