20060430

Você conhece a Victoruga?

A saga de Victoruga se perdeu no chacoalhar do ônibus e na premência de segurar o nature's call. Mas o programa de índio-hippie-sujo-metaleiro valeu o domingo que, outrossim, seria beem boring. Senão, vejamos:

Bee achou o amor da sua vida. Viu na TV, depois, a ex-professora dele.
Conhecemos o Prefeito Saladino, homem de valor, sequaz do crescente, Allah seja louvado!
Vimos parada de Lessies.
Ficamos com a bunda dura e a barriga doendo.
Encontramos a vaca "tolada", ao som de "eu só fui di você". Ah, não, não fuidi mais ninguém…
Tomei um "piper de cambuci" que põe diabo-verde no chinelo.
Vimos a Patifaria-wannabe MCzar o "Peltane".
E Victoruga… Ah, Victoruga… Aquelas ancas bastas e redondosas…

20060429

É. Amon Tobin faz todo sentido.
Don't come knocking parece autobiográfico, parece ficção. Win Wenders ainda é um dos meus diretores favoritos. Detalhes delicados, humor delicado. Final feliz.
Nada mau para hoje.
Para não deixar o costume de lado, The Village é uma grande porcaria. Fuja.

Afinal

[…]Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!


(Álvaro de CAmpos)
Caso alguém pergunte, diz assim: lat=-23.779444, lon=-46.305.

20060428

Sim, eu mandei tirar o Sebastian. Não, eu não vou explicar.

20060425

De febre, escrevo e mal escrevo…

Quando é difícil dizer, a gente disfarça. A gente mente, faz de conta. A gente inventa uma outra história e fica olhando de longe (hm, mais longe).
Parece que ficou bonita? Tira um instantâneo. Daguerreotipa pra colar na parede.
A foto sai em branco; branco de caber a invencionice toda. In potentia.
De longe é mais verdade.
Quando é impossível, a gente diz que estão verdes, os raios das uvas, e sai pra comprar mirtilos, fazer sobremesa de lamber beiços e dedos. E escreve, escreve, escreve. E lambe, lambe, lambe.
Idéias lambidas, curtidas no sonho. Pincela pimenta e põe tudo no forno. Acende a luz, apaga a luz, vigia o forno. Mesmo sabendo que água vigiada não ferve. Mas é dever de filho ignorar ensinamento de mãe, que a gente é feito pra quebrar a cara.
E quebra a cara, uma vez mais, que é pra largar a mão de ser moleque besta.
E coloca música francesa. Com música francesa é menos impossível.
Quando acaba o dia, a gente quer esquecer. Não consegue dormir, não consegue entender. Quando acaba a gente vira criança de três anos (puquê? puquê? puquê?). Quando acaba a noite, a gente jura que foi sonho, que não foi, que bobagem, que besteira, que coisa. Que estúpido, não dormiu de novo, idiota.
E vai trabalhar, vai inventar importâncias bobas de esquecer quem é. Oi, tudo bem?, bom dia, bom trabalho, viajou?, e o seu time?, não diga?, jura?, boa tarde, até amanhã.
Que amanhã é dia de branco e vocês que são brancos que se entendam.

Daqui, a coisa toda parece mais fácil. Menos impossível. Mais bonita.

20060424

Velho e chato

Terry Gillian está ficando velho e perdendo a mão. The brothers Grimm é fraco. E decepcionante por ser do Gillian.
Agora, Hostel, é estupidamente ruim. Nuff said.

20060423

Da minha idéia do mundo caí…

Guarda o choro como o dragão da novela de cavalaria ao tesouro por saber (ou achar-sabendo) que aquele será o último. Valoriza. Tem escrúpulos de ouro em pó para com as lágrimas, quão ordinárias.
Teme secar.
Guarda a réstia de medo com zêlo de viúva: cacho de cabelo envelope e carta. Essa coisa de desaprender cansa, ainda que se-lhe defina.
Transorna-se obsessiva-compulsivamente em caixas de dentifrícios, tampinhas de tubaína e amigos. Rede de segurança que tece de dia e, transformista, monta a Penélope.
Mais um minuto. Mais um dia.
Mas a noite.
Faz, refaz, desfaz, faz diferente, desfaz, perde o fio da meada. A meada corre, a formiga come. Refaz.
E diz que ainda vai a Fez. Por brincadeira de palavras e por leitura de tarô. E lê em troca de comida. "Eu podia estar roubando, eu podia estar vivendo de restos de atenção…"
Não se iluda, cordial amiga, amicíssima de tardes, de noites, de viagens e vadiagens. Há um método ali. O que não mais há é um ali. Nem um quando.
Foi-lhe prometido o vinteedoisdeabril. Vai-se o vinte e dois. Abril não tarda. O choro não demora.
A coda.
Mas é recalcitrante, todos sabemos, e tem essa inclinação ao ad libitum.
Libitum. Libere. Liebe.
(para não perder a fama de safado)

20060422

Tome isso!

Não, não é fácil quando cai a ficha que todo ceticismo tem raiz numa fé. Beati pauperes spiritu; e a descrença compartilha a raiz com sua antítese. Ah, claro que não é a própria dicotomia que causa o espanto, mas a gênese da própria fé na falta de fé. Ou da fé na própria falta de fé. E o jeito com que essas coisas aparecem numa noite de feriado, insuspeitas e esclarecedoras, é de derrubar qualquer arrogância comprada em crediário. Elas sempre estiveram ali: você se limitou a olhar.
É, eu sei que sou um bostinha.
Mas se eu não fingisse saber o que estou fazendo, o que seria do meu aplomb?

20060420

Bzzzzzz

A Abelha

A abelha que, voando, freme sobre
A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,

Não mudou desde Cecrops.
Só quem vive
Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.

Ela é a mesma que outra que não ela.
Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! —
Mortalmente compramos
Ter mais vida que a vida.


(Ricardo Reis)

20060419

Go Kyle!

Para ser menos hermético (e redde Caesar quae Caesare sunt), a idéia do clipe vermelho é desse maluquinho. Claro que eu estou torcendo pro cara. Mesmo que não seja verdade…

20060418

Where is my mind?

Perdi o sono, perdi o ponto, perdi o ritmo e o rebolado. Achei que os havia perdidos.
Tentei trocar por um clipe vermelho mas meu fornecedor, o Thundercat Games, só tem mesmo essas coisas que se vendem na Vila Olímpia: juízo, senso, hora-extra.
Quando acordei do que jurava ser sono (era febre, claro, e terçã), dei-me conta que a coisa toda foi um ataque rápido, coisa de profissional: levou, num átimo, minha vontade, minha resilência e o roteiro dos meus próximos três anos e três meses.
Roubou todos os textos bons que eu escrevera, escrevi, escreveria, escrevo, escreverei. Deixou os posts de blogs, e-mails de trabalho, scraps de profiles.
O ciúmes, foi. O barril com água doce, foi. O tapa-olho, deixou. A finesse no quatro ouros, passei.
Tungou meu coração (ah, falei).
Desolado e enternecido, refuguei o Perus-Lapa, deixei escapar o Jaçanã, rindo-me, e fui a pé. Paripasso.
Comprei um guarda-chuva, dancei com Cronópios e ganhei uma campainha que faz blim-blom. Mas não qualquer blim-blom.
Descobri no folhetim que o segredo da imortalidade é fazer uma pilha de livros, à guisa de criado-mudo, embora taquilálico, ao lado da cama, com os volumes que não posso morrer sem tê-los lido a todos.
Quase botei fogo na casa.
Descobri que desaprendi a acabar textos, mas que não deve ser mais difícil do que dar o truque no saxofone. E é mais ou menos assim:

Se você me vir, às duas da tarde de sábado, tendo certezas, atire para matar. Não sou eu, é meu evil twin.

20060417

Entre mortos e feridos

Como diz a Ana: Feliz!
Apesar de eu ter parado no pronto-socorro, vindo direto do aeroporto, os quatro dias na amazônia/babilônia foram bons.
Tucunaré, tucupi, beiju, caipiroscas com todas as frutas locais.
Passeio no mato, árvore de modess, cipó de curare, larva de vaga-lume que mora no coquinho e tem sabor de coquinho, nadar com boto cor-de-rosa, segurar jacaré mirradinho, mas jacaré, nadar no rio Negro, passar montanhas de Sundown FPS 50 e Off até espantar turistas também.
Agora estou melhor, o buscopan baixou e os problemas do trampo já chegaram. Mas nada, não é nada. Faz quinze graus em São Paulo e o futon saiu do armário.
Nada mais me abala.

Ahoy!

Ali, no rio Negro, vastância de largura, via você. Ali, sem conseguir abarcar margens no relance, fazia-se a impressão: responsa de mar.
Foi mesmo ali que pensei que entrei em você, já não me lembro bem quando, e era responsa de mar igual. Sim, por isso me tornei em pirata, canguru amarelo, O Lobo-marsupial do Mar. Eu tinha de aprender; tinha de saber do mar. Por força de perder o medo de mar e conquistar respeito (piratas não têm medo, mas respeitam o mar).
E fazer fortuna, claro.
Houve quem me dissesse contra, mas eu não podia ficar. Eu precisava saber de mulheres-igarapós e mulheres-mar e mulheres-rio. Rio com responsa de mar.
Mas era o mar e o mar chamava e os dias passaram e não era mais possível voltar. Só para frente, só para além. Aprendi a não confiar nos mapas. Aprendi a não confiar em mim. Aprendi a ouvir e a cheirar. E sentir.
Hoje, pele curtida, pele pintada, eu sinto. E cheiro e ouço. E digo que é uma saudade mais doída do que a saudade de ter visto. Saudade do que vem. Afinal, vento de popa e a bujarrona sempre no alto.
Aqui, no Rio Negro, segue a chalana e faço o que posso — agora, aqui: faço cara de mau.
Ah, tô baqueado, depois eu falo.

20060413

Do not open until Easter

Mesmo porquê, não vai haver nada de novo por aqui.
Vamos ver aquela bagaça antes que acabem com ela e assim ter mais alguma coisa para contar para os netos. Ou para os estagiários, do jeito que a coisa anda.
Diz por aí que eu sumi. Piranha, lamantim, mico e jacaré que anda no seco. Pé-de-pato, mangalô, trêis vêis.
Fui (nem me viu).

20060412

The Big Lebowski

Jesus Quintana ou Inri Christo?

Deixe-me ir

Se alguém perguntar, diz que eu tô aqui:

lat=-2.83028123923
lon=-60.5111751735

E boa.
O nome da banda pode ser Esquizofunk? Acho que pode. Ou não.

20060411

Sim, meu mau-humor é um dos melhores traços da minha personalidade.

That Dog

She looks at me, oh so pretty,
Touching me with her smiling white teeth.
She's showing me the place
Where everything is heard and said.
She's showing me the place
Which is underneath my bed.

Ciência

Kevin Kelly:

Our moral obligation is to generate possibilities.

Science will create new levels of meaning.

Poder de processamento

Idéia para NC: combinar toda a a informação do mundo estocada em meio digital em matrizes multidimensionais. Isso ia requerer algum poder de processamento, daí a idéia ser utilizar NC (modelo SEtI, por exemplo) e muito espaço de armazenamento de dados (resultados). O bacana da parada é modelar os critérios de eliminação de noise e peneirar o que fosse aparecendo. O melhor da brincadeira, não ter a menor puta idéia das possibilidades de combinações. Teoria unificada da física? Um novo modelo de meio de entretenimento? A cura de alguma doença? Uma piada nova de pum?
Não, eu não sou pago para pensar nessas coisas.

Piada de pum

Isso não pode ser real.

Are you gonna bark all day, little bunny?

Cães de Aluguel estréia no Angry Alien. Veja as duas versões, principalmente a "bleeped". Funny shit.

20060410

Páscoa

Eu tenho amigas loucas. E eu entro na delas. Páscoa? Páscoa*.


(*Google Earth required.)

20060409

Boa chuva.

Sombras

começo do fundo
Foi há uma semana, mas a parada estava vermelha, sanguinolenta, cheia de bepantol, nojenta. Hoje Bee me deu uma mão e já estão no Flickr as fotos.
Próxima sessão, só em maio, que o cara tá com a agenda cheia.

20060408

20060407

Bring it on

Cristo, Krishna, crack.

É isso aí, carroçada, eu vou de cara limpa, tem a moral? Tru faz a linha de adiantar o lado. Vacilão dorme na linha e o trem pega.
Na comunidade, ladrão fica na miúda e dá a letra que tem muita munição. É, liga que aqui é invés, sem miséria. E a parada é mil grau até umas hora.
Não esquenta, tru, que meu processo tá andando e a estadia vai ser curta. Logo, logo, é rua pra mim.
É, Jão, deixo um salve pros parceiro e sigo a minha. A gente se cruza nas quebrada. Cê não vai botar uma fé: tô ligeiro.

20060406

Cristo, Krishna, crack.

20060405

Sim, eu tenho um ki-chute.
(e eu sei como usá-lo)
Título de música que veremos em breve: You're my modafinil.

Desdém

Mas o tempo vai
Mas o tempo vem
Ela me desfaz
Mas o que é que tem
Se do lado esquerdo do peito
No fundo, ela ainda me quer bem


(Chico Buarque)
Cristo, Krishna, crack.

20060404

Non fà senso

E não é preciso. Eu desisti de fazer sentido.
Só peço que me avisem quando eu fizer sentido para eu anotar como foi. Tirar um instantâneo, sei lá.

Hoje eu anotei. Tinha umas coisas para postar, mas esqueci no trampo. Não me mandei por e-mail. Não anotei no celular, não nerdei o suficiente. Xapralá. Provavelmente não era importante.

Então beijos e boas noites e aquelas coisas todas tudos, que eu vou resolver essa terçã que já me deu nos nervos.
Cristo, Krishna, crack.

20060403

Blame, er… Someone else

God made me do it.
My dog made me do it.

Agora podemos culpar outra coisa.

20060402

Filosofia 3

Vá dove ti porta il cuore.

Acostume-se à dor

Porque a gente vai mesmo atrás.
A quarta sessão de tattoo arrancou admiração do tatuador visitante. As sombras e mikiris do lado direito fecharam.
Braço inchado. A ardência costumeira e dor. É. Dói.
As fotos ficaram uma bosta (sorry, Gipsy), então acreditem.
Eu não estou acreditando.

(kudos para a visita inesperada e bem-vinda e para a fofa da noite!)