20060331
Frase 5
A gente não pode ficar por aí, dando sopa pro idiota que mora dentro da gente.
(après Tucori; apud Ana)
(après Tucori; apud Ana)
20060330
Filosofia
Dad: "The world isn't fair, Calvin."
Calvin: "I know, but why isn't it ever unfair in my favor?"
Calvin: "I know, but why isn't it ever unfair in my favor?"
20060329
Testosterona?
Numa nota mais leve, já que vem rolando há meses e agora chega à media, outro Chuck:
How many chucks of wood would Chuck Norris chuck if Chuck Norris would chuck wood?
How many chucks of wood would Chuck Norris chuck if Chuck Norris would chuck wood?
20060328
Up the ante
Você me assusta. Você diz coisas que não fazem sentido com uma constância que remete a coerência. Uma verossimilhança que me põe pensando seriamente nas possibilidades que vão além do meu coraçãozinho hipertrofiado.
Você me põe na ponta dos pés, sempre duvidando de mim, sempre achando que eu posso alargar mais o mundo. Mundo de borracha. Eu deveria ser de lycra, pelo menos.
Você me dá medo e me dá paz (ultimamente muito pouca). Você me tira do sério. O tempo todo.
Você me mostra que minhas certezas são minhas, "apenasmente e solamente" minhas. E olha que você tem as suas, e elas te enganam e fazem você achar que não estão lá. Mas estão. E, quando eu as vejo, aprendo a reconhecer as minhas. E saio dando sapatada e jogando detefon. Certezas se matam com detefon e chineladas.
Você me dá tesão. Incomensurável. Impossível. Improvável. E, ainda assim, eu é que sei das noites por aí.
Você não deixa que eu pare. Não me deixa criar limo. Não me deixa emburrecer. Você não me deixa ser medíocre em nenhum momento, em nenhum aspecto. Você faz minha vida menos ordinária.
Você me faz menos ordinário.
Você me quer outthinking you, outsmarting you, outdoing you.
Eu não me faço de rogado. Você arrisca, eu pago.
Eu tô pagando. Eu empenhei as calças, o sax, o ego.
Tudo no prego.
O que você tem aí?
Você me põe na ponta dos pés, sempre duvidando de mim, sempre achando que eu posso alargar mais o mundo. Mundo de borracha. Eu deveria ser de lycra, pelo menos.
Você me dá medo e me dá paz (ultimamente muito pouca). Você me tira do sério. O tempo todo.
Você me mostra que minhas certezas são minhas, "apenasmente e solamente" minhas. E olha que você tem as suas, e elas te enganam e fazem você achar que não estão lá. Mas estão. E, quando eu as vejo, aprendo a reconhecer as minhas. E saio dando sapatada e jogando detefon. Certezas se matam com detefon e chineladas.
Você me dá tesão. Incomensurável. Impossível. Improvável. E, ainda assim, eu é que sei das noites por aí.
Você não deixa que eu pare. Não me deixa criar limo. Não me deixa emburrecer. Você não me deixa ser medíocre em nenhum momento, em nenhum aspecto. Você faz minha vida menos ordinária.
Você me faz menos ordinário.
Você me quer outthinking you, outsmarting you, outdoing you.
Eu não me faço de rogado. Você arrisca, eu pago.
Eu tô pagando. Eu empenhei as calças, o sax, o ego.
Tudo no prego.
O que você tem aí?
20060325
De te fabula narratur
Odeio quando levo tapas na cara de livros, de filmes, de leituras de tarot.
Agora a música me bate; com que direito?
Estaria ficando maduro? Nunca achei isso possível! Terei de abdicar de preconceitos tolos e intoleranciazinhas? Ó, céus!
Agora a música me bate; com que direito?
Estaria ficando maduro? Nunca achei isso possível! Terei de abdicar de preconceitos tolos e intoleranciazinhas? Ó, céus!
20060324
Vinus et musica lætificant cor
Medeski, Martin & Wood fazem jazz moderno. Falar que alguém faz jazz moderno está bem próximo de insultar músicos, é um balaio de onde raramente sai coisa que preste. Mas esses malucos realmente relêem o jazz em baixo, teclados e bateira/percussão. E swingam como demônios. Três branquelos swingando onde houver espaço, tocando jazz mesmo, não essas coisas quadradas que nego acha cool pracacete.
Às primeiras notas de Bemsha Swing eu me apavorei. Lá pelo meio da música, eu já queria que Monk estivesse vivo e no palco. A primeira versão que fez sentido de Thelonious Sphere Monk que fui forçado a admitir: faz todo sentido. O que Monk faria naquele palco? Suas dancinhas, é óbvio. Strollin' (Mingus) foi outro ponto alto. Essas releituras são foda, principalmente com a improvisação toda. Xinguei muito esses filhosdaputa.
Os caras arriscam, vou dizer.
Claro que o povo estava lá mais numas de showderrock que para ouvir as insanidades do Wood e do Martin (um baterista foda, foda, foda), se cutucando a todo momento e tornando a música mais interessante, mais tensa e menos palatável. Mas dane-se.
O resumo da noite, noite aprazível como há décadas — noite de amigos, vinho, charuto e bom som —, foi a Ana dizer que venderia. A alma, é claro. Eu me prontifiquei a desenhar o pentagrama.
Às primeiras notas de Bemsha Swing eu me apavorei. Lá pelo meio da música, eu já queria que Monk estivesse vivo e no palco. A primeira versão que fez sentido de Thelonious Sphere Monk que fui forçado a admitir: faz todo sentido. O que Monk faria naquele palco? Suas dancinhas, é óbvio. Strollin' (Mingus) foi outro ponto alto. Essas releituras são foda, principalmente com a improvisação toda. Xinguei muito esses filhosdaputa.
Os caras arriscam, vou dizer.
Claro que o povo estava lá mais numas de showderrock que para ouvir as insanidades do Wood e do Martin (um baterista foda, foda, foda), se cutucando a todo momento e tornando a música mais interessante, mais tensa e menos palatável. Mas dane-se.
O resumo da noite, noite aprazível como há décadas — noite de amigos, vinho, charuto e bom som —, foi a Ana dizer que venderia. A alma, é claro. Eu me prontifiquei a desenhar o pentagrama.
Eu! Eu!
Rita Mae Brown:
The statistics on sanity are that one out of every four Americans is suffering from some form of mental illness. Think of your three best friends. If they're okay, then it's you.
The statistics on sanity are that one out of every four Americans is suffering from some form of mental illness. Think of your three best friends. If they're okay, then it's you.
20060323
Potion
Give me a potion
To make me love you
Give me a potion
To make me care
Give me a potion
To make me love you
Make it a double
Make it a double
Below the ocean
I make my bed down there
Below the ocean
I got to live somewhere
Maybe the graveyard
And maybe I don't care
Why can't love be blind?
Instead of just a blind man crying:
Why can't love be, why can't love be blind?
Thanks for the potion
To make me love you
Thanks for the potion
To make me care
Your own prescription
Your own devise
Your charms are working on me
Your charms are working hard.
To make me love you
Give me a potion
To make me care
Give me a potion
To make me love you
Make it a double
Make it a double
Below the ocean
I make my bed down there
Below the ocean
I got to live somewhere
Maybe the graveyard
And maybe I don't care
Why can't love be blind?
Instead of just a blind man crying:
Why can't love be, why can't love be blind?
Thanks for the potion
To make me love you
Thanks for the potion
To make me care
Your own prescription
Your own devise
Your charms are working on me
Your charms are working hard.
Scratch
I was once sitting on top of the world
I really had things in my hand
But something went wrong I'm not sure what
And now I'm sitting here at home alone
People they want to give you free advice
Well that's something that I always try
But you get what you pay for that's what I say
And now I'm paying and paying and paying
I lost everything I had
I'm starting over from scratch
Everything I wanted cooking on the stove
Everything I needed right in the home
I had the best thing you can have
You can have it
You can have it now
I lost everything I had
I'm starting over from scratch
It's just a fact
Wiped that smile off my face
Put me down in my proper place
But the world just keeps on spinning around
And I'm still hanging around
in this world
I lost everything I had
I'm starting over from scratch
I really had things in my hand
But something went wrong I'm not sure what
And now I'm sitting here at home alone
People they want to give you free advice
Well that's something that I always try
But you get what you pay for that's what I say
And now I'm paying and paying and paying
I lost everything I had
I'm starting over from scratch
Everything I wanted cooking on the stove
Everything I needed right in the home
I had the best thing you can have
You can have it
You can have it now
I lost everything I had
I'm starting over from scratch
It's just a fact
Wiped that smile off my face
Put me down in my proper place
But the world just keeps on spinning around
And I'm still hanging around
in this world
I lost everything I had
I'm starting over from scratch
Purga
Eu me perdi perto da sua casa. Era agosto, acho. Fazia frio.
Você sempre soube as horas, ou parecia saber, ou fingia bem. Eu sempre soube que o tempo me iludia. Me perdia.
Mas eu dizia que me perdi, e acho que foi perto da sua rua. Eu estou usando esse corpo, mas é de uma dessas lojas da Rebouças. Foi o que deu para alugar.
(você não quer saber das confusões que isso anda me causando)
Sujeito me aparece de ceroulas gritando que o ônibus está atrasado. Velhinhas me achincalham no meio da rua. Virgens m'esconjuram.
Não, eu sei que minha vida não mudou muito mas, olha, é um perrengue enxergar de novo.
O tempo passa mais devagar aqui. É solitário aqui. É escuro também. E faz calor.
Eu estou com medo de acostumar.
Mas eu dizia que acho que me perdi próximo da saída do seu colégio (ou foi em outro lugar?) E deixei um bilhete na soleira da sua porta dizendo onde me entregar, que o porteiro não me quer mais deixar entrar no meu prédio. Então lê o bilhete que lá tem uma data. E eu me pego lá, naquela hora.
Desculpe o incômodo, mas eu ainda tenho algumas coisas por fazer. E não acho legal me deixar por aí sem supervisão.
Além do mais, daqui a pouco volta o frio. Eu gosto de mim no frio.
Vai quê…
Você sempre soube as horas, ou parecia saber, ou fingia bem. Eu sempre soube que o tempo me iludia. Me perdia.
Mas eu dizia que me perdi, e acho que foi perto da sua rua. Eu estou usando esse corpo, mas é de uma dessas lojas da Rebouças. Foi o que deu para alugar.
(você não quer saber das confusões que isso anda me causando)
Sujeito me aparece de ceroulas gritando que o ônibus está atrasado. Velhinhas me achincalham no meio da rua. Virgens m'esconjuram.
Não, eu sei que minha vida não mudou muito mas, olha, é um perrengue enxergar de novo.
O tempo passa mais devagar aqui. É solitário aqui. É escuro também. E faz calor.
Eu estou com medo de acostumar.
Mas eu dizia que acho que me perdi próximo da saída do seu colégio (ou foi em outro lugar?) E deixei um bilhete na soleira da sua porta dizendo onde me entregar, que o porteiro não me quer mais deixar entrar no meu prédio. Então lê o bilhete que lá tem uma data. E eu me pego lá, naquela hora.
Desculpe o incômodo, mas eu ainda tenho algumas coisas por fazer. E não acho legal me deixar por aí sem supervisão.
Além do mais, daqui a pouco volta o frio. Eu gosto de mim no frio.
Vai quê…
20060322
Novilíngua
Cobrador de ônibus versus senhorinha de uns 40 anos:
— …parar de fumar.
— Alguém me falou que tem um plasma de colocar no braço.
— Funciona?
— Disse que sim.
Amarelo — estupefacto, mas que sempre se duvida —, vai ao Houaiss:
plasma
Acepções
- substantivo masculino
1 Rubrica: eletrônica.
a coluna positiva, numa descarga de gás
2 Rubrica: física.
gás altamente ionizado e constituído por elétrons e íons positivos livres, de forma que a carga elétrica total é nula
3 Rubrica: física nuclear.
matéria mantida a uma elevadíssima temperatura e altamente ionizada, na qual podem ocorrer reações nucleares
4 Rubrica: mineralogia.
variedade translúcida verde-clara de sílica criptocristalina (calcedônia), us. como pedra semipreciosa
Locuções
p. germinativo
Rubrica: biologia. Diacronismo: obsoleto.
1 material hereditário transmitido para a prole através dos gametas
2 design. comum às células ou tecidos a partir dos quais um novo organismo pode ser gerado
p. sangüíneo
Rubrica: histologia.
porção líquida do sangue, na qual estão suspensos os componentes particulados
Obs.: cf. soro
p. sangüíneo
Rubrica: histologia.
porção líquida do sangue, na qual estão suspensos os componentes particulados
Obs.: cf. soro
Etimologia
gr. plásma,atos 'obra modelada, figura afeiçoada', conexo com o v.gr. plássó 'afeiçoar, modelar', pelo lat. plasma,àtis 'criatura'; ver plasm(at)- e -plasma
Não, eu ainda não fiquei louco.
— …parar de fumar.
— Alguém me falou que tem um plasma de colocar no braço.
— Funciona?
— Disse que sim.
Amarelo — estupefacto, mas que sempre se duvida —, vai ao Houaiss:
plasma
Acepções
- substantivo masculino
1 Rubrica: eletrônica.
a coluna positiva, numa descarga de gás
2 Rubrica: física.
gás altamente ionizado e constituído por elétrons e íons positivos livres, de forma que a carga elétrica total é nula
3 Rubrica: física nuclear.
matéria mantida a uma elevadíssima temperatura e altamente ionizada, na qual podem ocorrer reações nucleares
4 Rubrica: mineralogia.
variedade translúcida verde-clara de sílica criptocristalina (calcedônia), us. como pedra semipreciosa
Locuções
p. germinativo
Rubrica: biologia. Diacronismo: obsoleto.
1 material hereditário transmitido para a prole através dos gametas
2 design. comum às células ou tecidos a partir dos quais um novo organismo pode ser gerado
p. sangüíneo
Rubrica: histologia.
porção líquida do sangue, na qual estão suspensos os componentes particulados
Obs.: cf. soro
p. sangüíneo
Rubrica: histologia.
porção líquida do sangue, na qual estão suspensos os componentes particulados
Obs.: cf. soro
Etimologia
gr. plásma,atos 'obra modelada, figura afeiçoada', conexo com o v.gr. plássó 'afeiçoar, modelar', pelo lat. plasma,àtis 'criatura'; ver plasm(at)- e -plasma
Não, eu ainda não fiquei louco.
…máscaras de oxigênio cairão…
Minha língua não tem fio. Ela não tem corte. Minha língua tem sete agulhas para refazer suas tatuagens. Não me pergunte se vai doer, você sabe que vai. A voltagem anda alta.
(shocking!)
Se eu te assusto, isso é bom, sinal que você fica sempre na ponta dos pés. Na ponta dos pés a tensão aumenta. Na ponta dos pés, a batata da perna pede mordida. Deixa a tensão crescer. Deixa a tensão ficar insuportável que a gente perde o controle mesmo.
O meu eu perdi na última vez que senti teu cheiro.
(naughty)
Descontrolo, sim. Impávido até umas horas. Mas basta um nada para derrubar um mundo. Um nanoburaconegro — e essas porras ficam vagando por aí e ninguém sabe onde elas vão parar. Um olhar. Deixa de bobagem, amicíssima, que tentar se convencer que não se controla é tentar se controlar. Só que para o sentido oposto. O eixo é o mesmo.
(I know that in time it'll just fade away)
Não se engane, você sempre soube e eu sempre soube e nunca que ninguém não quis saber. Afinal não sou bífido. Só fico decepcionado comigo mesmo. E eu não faço sentido. Uma vez que você tenha isso entendido, tudo faz mais sentido.
(Mas que é meio ridículo dois adultos chorando à distância, tenho de admitir)
(shocking!)
Se eu te assusto, isso é bom, sinal que você fica sempre na ponta dos pés. Na ponta dos pés a tensão aumenta. Na ponta dos pés, a batata da perna pede mordida. Deixa a tensão crescer. Deixa a tensão ficar insuportável que a gente perde o controle mesmo.
O meu eu perdi na última vez que senti teu cheiro.
(naughty)
Descontrolo, sim. Impávido até umas horas. Mas basta um nada para derrubar um mundo. Um nanoburaconegro — e essas porras ficam vagando por aí e ninguém sabe onde elas vão parar. Um olhar. Deixa de bobagem, amicíssima, que tentar se convencer que não se controla é tentar se controlar. Só que para o sentido oposto. O eixo é o mesmo.
(I know that in time it'll just fade away)
Não se engane, você sempre soube e eu sempre soube e nunca que ninguém não quis saber. Afinal não sou bífido. Só fico decepcionado comigo mesmo. E eu não faço sentido. Uma vez que você tenha isso entendido, tudo faz mais sentido.
(Mas que é meio ridículo dois adultos chorando à distância, tenho de admitir)
20060321
Nossos atendentes estão todos ocupados
Agora eu vou cuidar de mim.
Se eu não atender, é que não estou em mim.
(deixe o seu recado após o si bemol)
Se eu não atender, é que não estou em mim.
(deixe o seu recado após o si bemol)
20060320
Fell on black days
I'm a search light soul they say
But I can't see it in the night
I'm only faking when I get it right
But I can't see it in the night
I'm only faking when I get it right
Pteridófita
Passarinha quer saber da gaiola que eu tinha? Mandei fazer suporte de xaxim e despachei para a Austrália; levou um amigo que fotografa e vai vender. Ou fazer experiências com samambaias.
Para que eu preciso de gaiola, passarinha?
Para que eu preciso de gaiola, passarinha?
Alfinete de segurança
Storie di ordinaria follia é um ótimo filme, Bukowski quase de verdade. Mas Ornella Muti rouba a cena. A bunda de Ornella Muti rouba a cena.
Pronto, falei.
Pronto, falei.
20060319
Abnegação
Eu não precisava disso tudo, eu tinha passarinha.
Montei arapuca e esqueci. Um dia, fazia sol, e zás, passarinha na arapuca.
Passarinha era esquilo e coala e ronronava e era tarde feliz de fazer periquitagem.
Hoje eu tenho isso tudo aqui: espingarda arco e flecha tarrafa isca carpa dragão Pequod mira telescópica binóculo mumunha bola de boliche ímã laço arpão.
Mas potra égua raposa onça girafa coelha bezerra borboleta jacaré não acha.
A arapuca eu joguei fora.
Passarinha querendo, volta.
Montei arapuca e esqueci. Um dia, fazia sol, e zás, passarinha na arapuca.
Passarinha era esquilo e coala e ronronava e era tarde feliz de fazer periquitagem.
Hoje eu tenho isso tudo aqui: espingarda arco e flecha tarrafa isca carpa dragão Pequod mira telescópica binóculo mumunha bola de boliche ímã laço arpão.
Mas potra égua raposa onça girafa coelha bezerra borboleta jacaré não acha.
A arapuca eu joguei fora.
Passarinha querendo, volta.
20060318
20060317
St. Patrick's.
Oh Danny Boy, the pipes, the pipes are calling
From glen to glen, and down the mountain side;
The summer's gone, and all the roses falling,
'Tis you, 'tis you must go and I must bide.
But come ye back when summer's in the meadow,
Or when the valley's hushed and white with snow,
'Tis I'll be here in sunshine or in shadow,
Oh Danny Boy, oh Danny Boy, I love you so!
But when ye come, and all the flowers are dying,
And I am dead, as dead I well may be,
Ye'll come and find the place where I am lying,
And kneel and say an Ave there for me.
And I shall hear, though soft you tread above me,
And all my grave will warmer, sweeter be,
For you will bend and tell me that you love me,
And I shall sleep in peace until you come to me!
From glen to glen, and down the mountain side;
The summer's gone, and all the roses falling,
'Tis you, 'tis you must go and I must bide.
But come ye back when summer's in the meadow,
Or when the valley's hushed and white with snow,
'Tis I'll be here in sunshine or in shadow,
Oh Danny Boy, oh Danny Boy, I love you so!
But when ye come, and all the flowers are dying,
And I am dead, as dead I well may be,
Ye'll come and find the place where I am lying,
And kneel and say an Ave there for me.
And I shall hear, though soft you tread above me,
And all my grave will warmer, sweeter be,
For you will bend and tell me that you love me,
And I shall sleep in peace until you come to me!
20060316
Aquiesço
No final das contas, eu acho que sou mais raso.
Que basta um chocolate, um sorvete
um sorriso, um post em blog alheio
um link insuspeito, um bom filme
um cigarro, um café
um olhar, um engano.
Às vezes eu sei que sou mais raso, porque me pego sorrindo
andando e olhando flores
e disfarçando a calma, cerrando o cenho
dizendo bons-dias, porfavores, obrigados.
Acho que era mesmo isso que eu queria dizer: obrigado.
Que basta um chocolate, um sorvete
um sorriso, um post em blog alheio
um link insuspeito, um bom filme
um cigarro, um café
um olhar, um engano.
Às vezes eu sei que sou mais raso, porque me pego sorrindo
andando e olhando flores
e disfarçando a calma, cerrando o cenho
dizendo bons-dias, porfavores, obrigados.
Acho que era mesmo isso que eu queria dizer: obrigado.
Agenda
Daí que a coisa toda me parece muito maior, vista desse ângulo. É claro, quando se é essa massa indistinta de imprecações e tédio que ameaça comer a lua.
Lua cheia, isso muda tudo, e pasma a torcida com um sentido muito do salafrário, mas que não deixa dúvidas: já não se requer prática, nem tampouco habilidade nessa onda, mala onda.
Onda de calores súbitos, fim do segundo tempo, morte súbita, os estertores do grande monstro de tesouras, lesmas e rabos de cachorrinhos, bicho papão que sou e não deixo nem o cabinho da cereja.
Cereja, framboesa, morango e mirtilos, vamos chegando freguesa que se você não sabe o que é mirtilo vai ter de experimentar. O caldo escorre com a cara de canguru safado que nem disfarça o tesão na moça.
Moça, não assusta não que a sanidade é temporária, sempre foi, aqui nos trópicos cimos de quintos andares, espelho imperfeito do quinto círculo, mas sem o èlan e quelli diavoli che ti sono piacciuti.
Piacciuti, piacere, eu mesmo esqueço que as doppias têm lá seu lugar certo no mundo, e eu também, mas você sabe que meu lugar certo tinha um gordo sentado e ele estava morto de cinco-horas-saldo-de-fgts e não se brinca com velhos mortos que eles fedem mais quanto incomodam, garanto.
E garanto diversão (diversão garantida, ou suas horas de volta), oras, bolas. Tá vendo que eu não sei o que faço, só faço por esporte.
Esporte bretão nesta noite sem estrelas de sumpaulo, casa de todas, terra esquecida por deus, que foi ao rio e levou uma bala perdida no meio das idéias.
Idéias. Olho puxado; sombra no olho de voz macia e baixo profundo; calo a frase mal formulada no fundo da "baixa-estima" sem par; abraço demorado, não me deixe, não me deixe; olhares, olhares e palavras que não vão a lugar algum; bo-ba-gem e ácidos desoxirribonucleicos perguntando por que o timing tão errado que parece de propósito; distância que mistério que engano que engodo; interrogação, minha cara, eu disse que voltava a te escrever; que sabe você que cabelo vermelho? Olhe, sotaque do Bronx! Oiça, não sei onde estou; volta, mas volta mesmo, que aquela pergunta eu guardei na livreira e devolvo com chocolate, meio-amargo.
Amargo a falta de sono que me deixa cansado que me deixam cambaio e me deixam no meio da noite, foi bom, ligue djá, mas não ligue agora que o vizinho chama o síndico e o síndico chama a polícia e a polícia tem mais o que fazer.
E eu tenho tanto a fazer.
Auguri.
Lua cheia, isso muda tudo, e pasma a torcida com um sentido muito do salafrário, mas que não deixa dúvidas: já não se requer prática, nem tampouco habilidade nessa onda, mala onda.
Onda de calores súbitos, fim do segundo tempo, morte súbita, os estertores do grande monstro de tesouras, lesmas e rabos de cachorrinhos, bicho papão que sou e não deixo nem o cabinho da cereja.
Cereja, framboesa, morango e mirtilos, vamos chegando freguesa que se você não sabe o que é mirtilo vai ter de experimentar. O caldo escorre com a cara de canguru safado que nem disfarça o tesão na moça.
Moça, não assusta não que a sanidade é temporária, sempre foi, aqui nos trópicos cimos de quintos andares, espelho imperfeito do quinto círculo, mas sem o èlan e quelli diavoli che ti sono piacciuti.
Piacciuti, piacere, eu mesmo esqueço que as doppias têm lá seu lugar certo no mundo, e eu também, mas você sabe que meu lugar certo tinha um gordo sentado e ele estava morto de cinco-horas-saldo-de-fgts e não se brinca com velhos mortos que eles fedem mais quanto incomodam, garanto.
E garanto diversão (diversão garantida, ou suas horas de volta), oras, bolas. Tá vendo que eu não sei o que faço, só faço por esporte.
Esporte bretão nesta noite sem estrelas de sumpaulo, casa de todas, terra esquecida por deus, que foi ao rio e levou uma bala perdida no meio das idéias.
Idéias. Olho puxado; sombra no olho de voz macia e baixo profundo; calo a frase mal formulada no fundo da "baixa-estima" sem par; abraço demorado, não me deixe, não me deixe; olhares, olhares e palavras que não vão a lugar algum; bo-ba-gem e ácidos desoxirribonucleicos perguntando por que o timing tão errado que parece de propósito; distância que mistério que engano que engodo; interrogação, minha cara, eu disse que voltava a te escrever; que sabe você que cabelo vermelho? Olhe, sotaque do Bronx! Oiça, não sei onde estou; volta, mas volta mesmo, que aquela pergunta eu guardei na livreira e devolvo com chocolate, meio-amargo.
Amargo a falta de sono que me deixa cansado que me deixam cambaio e me deixam no meio da noite, foi bom, ligue djá, mas não ligue agora que o vizinho chama o síndico e o síndico chama a polícia e a polícia tem mais o que fazer.
E eu tenho tanto a fazer.
Auguri.
20060315
20060314
Defcon 3
É oficial. Meu pai vai safenar.
Eu safeno, tu safenas. Ou não. Mas nossos pais, estes sempre safenam (given enough time).
Não agora, porém. Ainda precisa parar de fumar e baixar o nível de glicose.
Countdown.
Eu safeno, tu safenas. Ou não. Mas nossos pais, estes sempre safenam (given enough time).
Não agora, porém. Ainda precisa parar de fumar e baixar o nível de glicose.
Countdown.
Cabeçadura
Todo mundo pergunta se não dói. Eu me apresso a responder que não.
Mentira.
Dói. Dói mais admitir.
E é claro que não falamos de tattoos.
Mas é para ficar mais bonito, I suppose.
Mentira.
Dói. Dói mais admitir.
E é claro que não falamos de tattoos.
Mas é para ficar mais bonito, I suppose.
20060312
Cabeçadedragão
Todo mundo pergunta se dói. Dói. Em cima de ossos mais aparentes, esterno, clavícula, é uma dor feledaputa. Do tipo que enerva o tatuador, que te pede para não se mexer, porra.
Tá ficando bonita, ao menos. E eu estou gostando. Próximo sábado, começam os fundos. Se der tempo e a dor for suportável, os dois braços. Se não, mais três semanas antes de começar a pintar.
Engodo
What the fuck do we know? é uma grande merda.
Auto-ajuda quântica? Pegar conceitos científicos para justificar uma religiosidade e espiritualidade rastaqüeras é ridículo.
E as boas questões levantadas são sumariamente esquecidas.
Credo.
Auto-ajuda quântica? Pegar conceitos científicos para justificar uma religiosidade e espiritualidade rastaqüeras é ridículo.
E as boas questões levantadas são sumariamente esquecidas.
Credo.
20060308
20060306
20060305
Veja bem, Capote é um bom filme. Mas já vi melhores. Talvez o seu maior mérito seja fazer você se sentir como o Truman. A falta de closure é angustiante.
Mas o Hoffman ainda me deixa incomodado, talvez pelos maneirismos de sempre.
E a frase da noite foi: "Nóis Capote mas não Beckett."
(ou Brecht, vai do gosto…)
Mas o Hoffman ainda me deixa incomodado, talvez pelos maneirismos de sempre.
E a frase da noite foi: "Nóis Capote mas não Beckett."
(ou Brecht, vai do gosto…)
20060303
Brokeback Mountain é Ang Lee pós Sense and Sensibility e The Ice Storm. Quase piegas. Quase emociona. O tema é válido, a forma de encarar honesta. Mas ainda prefiro Comer, Beber, Viver.
Ñé.
Ñé.
20060301
Juro que eu fiz um esforço danado para crer que Paradise Now era apenas uma resposta aos filmecos patriotas americanos justificando as atrocidades de sua abjecta política externa. Não consigo.
Não é o melhor filme do mundo: é carregado de clichês para forçar a empatia com os palestinos, as cenas de Tel-Aviv são escolhidas a dedo, há até uma cena de perseguição de carros!
Mas é honesto. Não se leva mais a sério do que pede o tema e nos deixa o benefício da dúvida.
— Gostou, seu chato?
— Gostei. Pronto.
Não é o melhor filme do mundo: é carregado de clichês para forçar a empatia com os palestinos, as cenas de Tel-Aviv são escolhidas a dedo, há até uma cena de perseguição de carros!
Mas é honesto. Não se leva mais a sério do que pede o tema e nos deixa o benefício da dúvida.
— Gostou, seu chato?
— Gostei. Pronto.
