20060130

Ela: Meu carro está na oficina de novo.
Ele: A Courier?
Ela: É.
Ele: Problema de kerning?

Preto ou branco

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração.

20060127

I know you and you know me too
I know everything that you're going through
And you know everything that I'm gonna do

You know me and I know you.

Give me an invitation and I'll be there
unless of course I have to be somewhere
Give me your wishlist, let's shake hands,
if you don't like it you can have your money back

20060126

I set my course sailed away from shore
Steady. Steady as she goes
I crash in the night -- two worlds collide
But when two worlds collide no one survives
no one survives and
The reddest of reds
the bluest of blues
The saddest of songs I'll sing for you and
My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep

You are this good

Something tells me you can read my mind
Your brain is calling to me one more time
You're good.

20060116

Angelika, linda e ruiva, conseguiu me achar no raio do Orkut. E no messenger.
Nove longos anos depois, descubro o que foi que ela escreveu no cartão que me deixou quando foi embora:

Dziekuje, plomyczek.

A que respondo:

Obrigado, maluquete.
Hoje é dia de mudança.
Hoje é dia de mudança.
Hoje o dia começa e termina vidas, uma e outra.
Hoje o dia pede por rituais e fogueiras e pinturas e cagadas homéricas.
Hoje o Universo me pede para ser dramático, brega, estúpido e sem medo de dar vexame.
Hoje é dia de mudança e hoje o dia não existe. Atentem que o dia 16 de janeiro de 2006 não existirá no calendário maia, no chinês, no lilliputiano e sequer no meu.
Hoje é dia de morrer uma vida.
Hoje é dia de pular. Hoje é o dia do Tolo (Bobo, Fool, il Matto).
Perguntem-me amanhã. Estamos fechados para reforma. Nossos atendentes estão todos ocupados.

Auguri.

20060110

Instruções para dourar a mágoa

Tentative.
Qualquer suporte. As costas de uma lista de compras.


A mágoa se doura na manteiga. Aquece-se a manteiga até pararem as borbulhas. Isso significa que a água já evaporou. Agora é preciso ser rápido. Dourar a mágoa tenciona tirar-lhe o amaro. Se a manteiga não for usada no exato momento (você se lembra: quando cessa a borbulha), ela própria fica amarga; queima, escurece, deita fumos e, como se disse, amarga.

A mágoa vai, então, inteira, na panela, dourar. Use aqueles pegadores de macarrão ou salada que parecem pinças para vira a mágoa e dourar por igual.

Se a mágoa for muito grande, peça à sua sobrinha de sete anos e longos cabelos negros escorridos que lhe conte uma história. Pergunte-lhe se a história tem um cavalo e duendes e guie-a, sutilmente, para obter uma história surreal e feliz. Se na história porventura o cavalo se transformar num unicórnio, a mágoa se apequenará e será de fácil manuseio. Caso contrário, ainda assim ela certamente caberá na panela.

A panela.

Deveria ser de ferro, a panela, pesada para solidez. Mágoas com freqüência tentam pular das panelas, fugir das buldogas preguiçosas e ir se esconder nos recônditos mais pitorescos da casa. Vêem nisso piada.

Se faltar a panela de ferro, use cobre, o mais ariado que houver. As mágoas se ofuscam e não conseguem saltar.

Faltando também o cobre, jogue, com cautela, botões coloridos sobre a mágoa. Mágoas adoram brincar com botões. Uma vez divertidas, deixam-se virar, usando botões diferentes e fingindo ter olhos.

Vire uma, duas, tantas vezes quantas forem as mulheres da sua vida. Você notará uma diminuição no volume da mágoa, acompanhada do escurecimento da mesma e da diminuição do cheiro de foto envelhecida marinada na decepção (mas esta receita não deve ser nunca preparada, sob o risco de se esgotarem as lágrimas — ingrediente básico de pudim de sonhos, como se sabe).

Findo o cheiro, a mágoa perdeu o amaro e a cica.

Reserve, deixe esfriar e corte pequenos animais com a fôrma de biscoitos.

Enterre os bichos por ordem de grandeza natural (pássaros, tartarugas, cangurus, elefantes e corações) no jardim onde, é claro, você plantou girassóis no último plenilúnio.

Quando desabrocharem, os girassóis devolverão as mágoas ao vento, e você poderá sumir no mundo levando apenas um saca-rolhas.

20060106

Frágil. Forte queaporra, mas frágil.
E nem é nada, um muxoxo, uma palavra. Uma impressão.
Um nada.
E volta a dor chata, pentelha, de protesto.

E eu sequer tenho um almanaque para saber como termina.

20060102

Dói.
Ainda.
Mas vá lá, que do meu eu sei, finalmente.
Me dê um Si bemol e eu te acompanho o resto da vida, dialogando, inventando, improvisando.
Há!
Improvisando.