toc-toc?
[ajeita a pança, que cai da calça]
to-toc… TOC!
[coça o nariz daquele jeito, pelo lado de fora, para não enfiar o
mindinho lá no submundo das narinas escuras e coçar a hipófise com a
unha]
toc-toc-toc.
— Aê, sou, dotô. Acho que a moça num tá não.
— Ah, chato, isso. Será que ela volta hoje?
— Ah, isso eu nem sei não. Ela é médica, num sabe?
— Sei. Dentista… Sabe se ela pegou minha última mensagem, com telefone e tals?
— Cumé que eu vou saber isso, dotô?
É verdade, como é que ele vai saber, estúpido? Bom, parece que vim até
aqui por nada. Para nada.
[olha a porta com cara de três-da-tarde e desiste de bater]
— Se quisé, eu anoto recado!
Hm.
— Diga a ela que era nada não. Que eu só queria contar do "pênin a
bolonhesa" num cartaz de restaurante a quilo. E do "penê" num outro.
Que o penne vai morrer de esquizofrenia. Com ou sem ragù. Mas não era importante.
— O sinhô é que manda.
— Ultimamente, meu caro, nem isso. Ou isso menos.