20050831

Carrol:

Sometimes I've believed as many as six impossible things before breakfast.

Carrol quando Alice, acrescento.
E eu bem poderia dormir mais e pensar menos. Ou, ao menos, me dar conta de que ler sete livros ao mesmo tempo não parece muito razoável.

20050830

Ademais, eu nunca neguei ser um engodo.

20050826

Donde concluo, preso à lógica do raciocínio sobre a subjetividade:

É eu quem diz tu.

E assim vai o sujeito, de debreagem em debreagem, buscar mais um pouquinho, mais embaixo (um degrauzinho aí, por favor), um nanômetro que seja, no profundo. De profundis.

É neste caso que para baixo nem todo santo ajuda. Talvez Aquino. Ou Agostinho.

E nota, o sujeito, agora munido de palavras, que o povo fica mesmo é no actancial. E olhe lá.

20050824

Benveniste:

É ego quem diz ego.

20050822

Se você ainda tem certeza de alguma coisa, reconsidere.

20050818

Deixe seus medos saírem à caça, toda noite. Deixe-os matar e banhar-se em sangue de inocentes. Quero vê-los tentar.
Deixe-se fazer inocente. Acredite mais uma vez e iluda-se apenas porque você pode. Porque você tem escolha.
Creia. Use conceitos picaretas de neurolingüística. Faça amigos. Influencie pessoas.
Corra até a lotérica mais próxima e jogue dois milhões de cartões a R$ 1,50 cada.
Google atrás de um ex-colega de faculdade para dizer a ele que Google virou verbo.
Responda "42" a todas as perguntas que ouvir hoje. Se perceber que alguém reconheceu a referência ao livro do Adams, feche a cara e não fale mais com ninguém.
Pague meu aluguel. Diga à ela que sem ela não pode ser.
Lá menor. No 4.

20050817

La pâte à son. Simplesmente genial.
Paul Claudel:

O tempo é o pecado da Eternidade.

E que venha o Derrida.

20050816

Carradas de razão? Troco por uma paçoca amor.
Aniversário do Bukowski, que faria 85 anos.

I have more faith in my plumber than I do the eternal being.Plumbers do a good job. They keep the shit flowing.
Eu me defino na alteridade.

20050815

A Microsoft quer patentear o negrito?

Hm.

Do jeito que algumas pessoas usam o negrito, eu realmente acho que deveriam ser cobradas por isso. Mas a grana deveria ir para um fundo de auxílio aos design-impaired…

20050810

A sensação é de frustração. A sensação é de decepção e de enfado. A sensação é de desprezo.
A história toda de maluco não querer ser feliz serve para outros tipos de relacionamentos, não só os amorosos. Amizade e trabalho estranhamente não têm muito a ver com fraternidade e profissionalismo, no final das contas. E respectivamente, se não é muito lembrar.
Respira, doido.
E muda o approach. Não era você que queria ser estratego?

20050809

Quando é que eu vou abrir um restaurante? Oras, quando vocês me arranjarem a grana.
Quaisquer 450 mil reais já dão.

20050808

Hoje é aniversário da morte de Cannonball Adderley. E de Louise Brooks.
Eu, ser de pouco admirar, de tudo achar normal, paro por segundos e penso num e em outro. E acho que a humanidade tem jeito.

20050805

Tedesca me traz mais. Tedesca traz João Cabral.

Sobre o sentar/estar no mundo

Ondequer que certos homens se sentem
sentam poltrona, qualquer o assento.
Sentam poltrona: ou tábua-de-latrina,
assento além de anatômico, ecumênico,
exemplo único de concepção universal,
onde cabe qualquer homem e a contento.

Ondequer que certos homens se sentem
sentam bancos ferrenhos de colégio;
por afetuoso e diplomata o estofado,
os ferem nós debaixo, senão pregos,
e mesmo a tábua-de-latrina lhes nega
o abaulado amigo, as curvas de afeto.
A vida toda, se sentam mal sentados,
e mesmo de pé algum assento os fere:
eles levam em si os nós-senão-pregos,
nas nádegas da alma, em efes e erres.


Depois diz que adora esse olhar blasé que não só viu quase tudo mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.
42.

20050803

Parem tudo que eu vou chorar.
Pedaços da infância de volta.

chuif.
toc-toc?
[ajeita a pança, que cai da calça]

to-toc… TOC!
[coça o nariz daquele jeito, pelo lado de fora, para não enfiar o
mindinho lá no submundo das narinas escuras e coçar a hipófise com a
unha]

toc-toc-toc.

— Aê, sou, dotô. Acho que a moça num tá não.
— Ah, chato, isso. Será que ela volta hoje?
— Ah, isso eu nem sei não. Ela é médica, num sabe?
— Sei. Dentista… Sabe se ela pegou minha última mensagem, com telefone e tals?
— Cumé que eu vou saber isso, dotô?
É verdade, como é que ele vai saber, estúpido? Bom, parece que vim até
aqui por nada. Para nada.
[olha a porta com cara de três-da-tarde e desiste de bater]

— Se quisé, eu anoto recado!
Hm.
— Diga a ela que era nada não. Que eu só queria contar do "pênin a
bolonhesa" num cartaz de restaurante a quilo. E do "penê" num outro.
Que o penne vai morrer de esquizofrenia. Com ou sem ragù. Mas não era importante.
— O sinhô é que manda.
— Ultimamente, meu caro, nem isso. Ou isso menos.
Eu juro que não é difícil. É como o cara lá do smart went crazy berrava: it's complicated cuz you don't have the guts to keep it simple. Mas eu complico. Quando eu simplifico, acabo complicando. E sem complicação, parece que não tem graça. É o que dizem.

20050801

It doesn't get any more depressive than that.