20020830

Faço deste blog um bastante instrumento público para o presente

Aviso à praça


1- Eu sou do meu tamanho.
2- Meus limites me são impostos, consciente ou inconscientemente, por mim mesmo.
3- Os referidos limites são, para todos os efeitos, legais ou outros, ilusórios.
4- Minha situação atual é resultado direto das minhas escolhas.
5- Ninguém pode ser responsabilizado pelas referidas escolhas, a não ser eu mesmo.

Subscrevo-me, atesto e dou fé.

20020827

Lapsos de memória, não sabemos se por conta do cansaço, da mediocridade da rotina diurna ou se da senilidade. Mientras, o coração vai bem, se enche de graça.
Pensei sobre os lapsos, ri com a idéia das falhas na Matrix (ri com a referência, sempre a pop, a corriqueira: desinteressante e fácil). Rio da sofreguidão de posts ainda herméticos e de como eu digito cada vez pior.
Voltei a escrever no papel, estudar e sonhar — sonhos longos, nem sempre bons, mas longos, com histórias, pessoas, situações fora do meu controle; embaraços dos quais a única fuga é acordar.
Ainda não sinto cheiro nos sonhos.

Vivendo essa vida de recurso, levando porrada de dia (porrada indolor) e à noite. Estas, meu povo, das boas.

Acordar.

Aprendendo a desconstruir meu discurso, deixando as certezas pra trás. Lontano.

A cada semana, um pouco mais do mundo esboroa (em bom perifês). Vai findando mais um, vejam só, e tenho um "mundane egg", que não sei se troco, se choco, se guardo. Ou se faço um omelete. Com cogumelos, naturalmente.

Então, sigamos fazendo da vida um bocadinho menos ordinária a cada dia. Do jeito que dá. Sem esquecermos de nos divertir, que o tempo é parco e eu já usei quase a metade.

=)

Blá, blá, blá. Vai ler um livro. Vai trepar. Vai e me escreve um e-mail, manda uma foto. Vai assistir Engraçadinha antes que ela vire a Cláudia Raia, o breu.

Auguri.

20020825

Domingo de curtas. Prestigiando a Zita, mulher de se admirar. No CCBB, curtas americanos tentando entender o 11/9/2001. Se me perguntassem eu explicaria num… curta. De 30 segundos. O primeiro da série é o melhor. E, sorry, dumbasses, the USA ain't the world.
À tarde um pedaço da mostra internacional, com Por Volta das Cinco, enxuto e interessante, Lado B, Inocente, a animação muito boa A Pedra da Loucura, Marca d´Água e Agora, Olha para Mim. Todos bons, com destaque para o grego Inocente (título em inglês See no Evil), intrigante e delicado.
Semana que vem tem Pierre Levy no SESC Vila Mariana. E tem Holambra, talvez. E quase tudo de graça.

(às vezes eu reclamo à toa. Só às vezes.)

20020821

Não, não há tempo para bloggar. Deu para perceber?
Black Machine e Greyboy Allstars.
Suits you, sir.

20020820

The Japa & Tedesca Lazy Cultural Sunday Afternoons.
(ah, sim, a vida pode ser boa, não te parece?)

20020819

Parliament pergunta: is there funk after life?

Não saberia responder; I just want mine uncut.
Falta tempo para ler. Falta tempo para passear e namorar. Falta tempo para dormir, para praticar, para escrever e me divertir.
Só tenho tempo para as coisas que não são importantes.
Algo definitivamente está errado.

20020818

O Inagaki manda o link. Eu já sabia da existência — e achava bizarro —, mas só tive certeza ao ler a biografia do Coltrane.
Que meda.

20020817

in Coltrane we trust foi feito em Mac e em PC.
bellaroba!
Havia um link, nalgum lugar que eu não lembro, para testes de internet, daqueles bem idiotas (tipo: se você fosse um personagem d'A Família Adams…). Um deles perguntava: "sua vida é tão interessante quanto seu blog?"
Para alguns, eu emendaria: sua vida é tão chata quanto seu blog?
(mau; com "u")

20020815

Mais valia…

Vamos falar do meu ceticismo.
(É, blog é uma bosta mesmo, nego acha que a própria vida é interssante o suficiente para ficar contando em público. Ou que suas dúvidas existenciais são dignas de audiência. E tem um bando de gente com a curiosidade – leia-se voyeurismo agigantado e a falta de bom senso de ficar lendo. E, às vezes, comentando.)
Então, como eu dizia, minha amargura. Amargura, que foi como foi classificado meu ceticismo. Um barreira contra a fé, basicamente.
E por que é mesmo que eu precisava de defesa contra a fé? Porque eu precisava matar meus sonhos. E por que raios eu precisava matar meus sonhos? Porque eu tinha de negar minha natureza.
E assim vai. Deu pra entender, já.
Hm. Sei… Empapuçado até umas hora.
É como a história que eu ouvi do carinha que, em criança, queria ser índio quando crescesse. A mãe, com certeza condescendente, achando bonitinho, desencorajou o moleque, "Você não pode ser índio quando crescer." E assim começa. Por que infernos o coitado não pode ser índio quando crescer? Pode, porra. Deixa o cara. Sei lá o que esse cara é hoje em dia. De repente, virou publicitário – puta bosta!
Seria mais feliz sendo índio. De longe.
Mas pior mesmo é quando você se convence que não pode ser lixeiro quando crescer. Porque, afinal, lixeiro não é profissão. Depois você começa a se convencer que ser lixeiro nem é assim tão legal. E vira, sei lá, consultor. Triste.
Aí você cresce um pouco mais, estudando pra caralho para sair do buraco (alguém te disse que você só poderia alcançar seus sonhos se tivesse dinheiro, e que para conseguir dinheiro você tinha de estudar). Só que quanto mais você estuda, quanto mais você se dedica a adquirir conhecimento "útil", mais percebe que não vai mesmo poder ser saxofonista no metrô. E se forma para ser advogado! Aaaargh!
E continua lendo, que é um jeito de continuar estudando (você gostava de estudar, de verdade). E quanto mais lê, mais percebe que realmente teria sido mais feliz se tivesse sido auxiliar de cozinha em restaurante; ou saxofonista no metrô. Ou lixeiro.
Ou índio.
Então você precisa negar sua natureza. Matando seus sonhos. Abandonando a fé, em qualquer coisa, em qualquer um. Negar tudo é tão eficiente quanto escolher um dogma qualquer.
E fica amargo.
A simplicidade da solução é elegante, e começa a funcionar tão bem que você já se convence que é assim, que essa é sua natureza. Você é uma pessoa de "pés-no-chão" ou outra babaquice do gênero. Começa a ter ecrtezas, começa a saber. É, começa a dizer "Eu sei." Brrr. E vira a contradição encarnada, clamando não acreditar em nada e acreditando em suas próprias mentiras.
E não é só. O ar "cool" de quem sabe tanto que não acredita em nada lhe rende alguns olhares de admiração, e você bebe essa admiração que é maldirecionada, mas que é alimento para o seu ego.
E no dia que acorda, que percebe a bobagem disso tudo, fica meio mal. Depois passa a buscar outras coisas, coisas para posts posteriores (isso foi horrível, eu sei). E inventa mantras, dois dos quais obrigatórios ao acordar. E vão os dois mantras, para quem não se lembra, ou para quem não me conheceu em outras vidas:

– Não se leve tão a sério. Não se leve tão a sério. Não se leve tão a sério.

E o outro, também importante:

– C'est bonne, la vie. C'est bonne, la vie. C'est bonne, la vie.

20020814

Home-made cajun seasoning.

Please, handle with care.
Merda. Bosta.
Morreu Flávio Colin, um dos maiores quadrinhistas que o Brasil já teve.

Coloco a entrevista dele para a Panacea neste fimde.

Second

arram. leiauti novo. e, mil desculpas, mas eu desaprendi a fazer leiauti pra menos de 1024x768.

20020813

Brega. Mesmo.

Com licença, dois minutos de breguice, que a segunda valeu, que os meses que se apresentam pela frente não parecem tão ruins.

Happiness is when what you think, what you say, and what you do are in harmony.

Mohandas Gandhi

20020809

Propaganda é isso

E a rapidez da internet: o cara do joguinho redirecionou o link para uma página pornô. Se eu tivesse tempo e paciência, rastrearia a origem do link. Imagine como isso poderia ser uma nova forma de propaganda: você cria um jogo, espalha a URL e fica monitorando o tráfego. Quando atingir massa crítica, troca a página por uma com propaganda.
Pou! Tomem na cabeça! Hua hua hua! [gênio do mal tendo ataque histérico]
Meda.

Do me a favor

Meme do dia: jogar roleta russa na internet. Em flash.
Quatro fontes diferentes até agora.

Censored

Valha-me nossa senhora da periquita perfumada! A censura está de volta!

Dois casos, um amigo, que mantenho no anonimato:

> Pois é, po recebi do kit.net que vao tirar o site do ar e alem disso podem
> acionar legalmente aqueles que tiverem sites com propagandas anti-politicos?
>
> nao sei ateh onde isso é legal (no sentido estrito), mas está acontcendo.
> pode ser apenas uma ameça sem sentido. alguem tem mais informacao?
>
> Hoje em dia nao se pode falar nada abertamente...


E o museu do spam, que sofreu um ataque idiota:

http://museudospam.subversao.com/

APA! Apaputaqueospariu!
Então vamos lá: vivo numa ditadura disfarçada na qual o ditador usa um treco chamado Medida Provisória para legislar sem o Congresso. Vão eleger um louco, reedição do Collor, para presidente (sim, vão. Eu não vou). Vão eleger o Maluf (!) para governador. A censura está de volta, e na internet, none the less!
À merda tudo isso. Eu estou fora. Das duas uma: ou vou para não voltar, ou pego em armas.

20020807

Issaí. Leiáute nascoxa. Depois eu penso nisso.

Ah, bienvenue Camille.

=)

20020806

Há alguns dias eu dei uma festa, meio para comemorar meu aniversário, meio para reunir pessoas dos meus diferentes passados que deveriam se conhecer, meio para marcar uma série de decisões que estavam amadurecendo e que já eram certas quando do evento. Ritual.
(Com três ou mais metades mesmo.)
Depois, conversando com a namorada, falávamos de ritos, de como o rito foi sendo substituído por simulacros de ritos e como a falta de ritos faz com que as pessoas se percam pela vida. A falta de rito criando a adolescência, zona morta (soft place?) entre a infância e a idade adulta. A falta de rito deixando as pessoas sem referência, sem pertencer a comunidades. A globalização destruindo ritos e substituindo ritos por formas novas de consumo.
Da colonização cultural, do esvaziamento simbólico. Da banalização dos mitos.

Mas isso já não é a conversa, ou não toda ela — nem as palavras. Eu confundo, mais que explico.

Falamos também de blogs e de referências. Será possível criar pessoas cujos únicos pontos comuns, cujas únicas referências comuns sejam aquelas apreendidas através dos meios de comunicação de massa? Não é esse o mundo que, no final, estamos construindo? (Ah, sim, ajudamos a construí-lo, pois não?) Um bando de gente que só fala a mesma língua quando fala de novela, do que viu na TV ou leu no jornal. Realidade filtrada, realidade enlatada. Comida enlatada. Experiência enlatada. Vida mediada.

Não por acaso diagramo um Quixote. Não por acaso fico com vontade de assistir a Muito além do jardim novamente.

Mas o experimento interessante seria desagregar de vez. Uma sociedade inteira sem pontos de referência comuns. As únicas experiências comuns seriam comer, dormir, trepar, essas coisas, emoções básicas, instintos de sobrevivência. Pessoas criando linguagens próprias, línguas de um só falante. Os filhos seriam educados com o mínimo de interação com pessoas sempre diferentes. Premissa: acabar com os meios de comunicação.

Já leu City of glass? É do Auster.

Que tipo de organização se formaria? Que tipo de governo, que tipo de regras sociais? Babel, all over again… Sobreviveriam os arquétipos? A comunicação não-verbal seria a saída? Faço "perguntas-respostas"? Quanto tempo até que os mais fortes determinarem regras de comunicação? Quanto tempo até que um língua (um código?) se formasse e se tornasse hegemônico?

Confuso? Ah, estou sem tempo e sem saco de articular.

Sim, não, obrigado. Tenho as palavras à minha disposição, agora.
Meme do dia: teste psicológico para saber se você é psicopata. Já são três fontes diferentes.

20020801

E, enquanto a farra não começa para valer, eu vou de Cabaret Voltaire, The Fall, Clouddead e Tangerine Dream.
E já vou avisando, bem no começo, e bem avisado, que nem tudo o que vocês lêem é verdade. Não é verdade nos jornais, não é verdade nas revistas, não é verdade nos seus livros. Por que raios seria verdade aqui?

(putz, mano, isso aqui é um blog! Uma forma de escrita ainda mais baixa que fanzine. Não há desculpas, naivetée ou ignorância. Gee…)

Eu saio da fossa xingando em nagô. Aliás, daqui a alguns dias eu coloco por aqui um texto sobre vitupérios.